sábado, 7 de janeiro de 2017

Titulo: Hello, My Old Heart
Autora: Roberta Clemente
Banner: Roberta Clemente
Classificação: NC-17
Nota: Minha intenção é dividir essa fic em três partes, dois pontos de vista e um com os dois, mas veremos qual o andamento. A história vai de 9x06 até 10x15, após isso é por minha conta.
Resumo: .Deveriam estar comemorando o primeiro aniversário de casamento, mas ao invés disso Oliver apaga Chloe da sua memória.  



10


O cheiro. Pôde sentir o cheiro dela invadindo seus sentidos, a pele macia onde seus lábios e dedos estavam repousados. O silêncio era tão confortável e combinava com o calor que os dois corpos juntos criaram naquela longa e ao mesmo tempo tão breve noite. Oliver não quis abrir os olhos, há semanas não se sentia assim, despreocupado e sem pressa. Se fosse honesto não se lembrava de ter sentido isso um dia, sem o mundo nas costas, sem o peso de todas as suas decisões e principalmente erros.

Não saberia dizer em qual momento da noite resolveu invadir o espaço pessoal de Chloe, mas no momento não estava se importando. Não quando pareciam tão perfeitamente encaixados e feitos um para o outro. Precisou desde sempre garantir sua própria segurança, sua zona de conforto, mas ali, com ela em seus braços tudo isso vinha de forma natural. Estava começando a entender o porquê de toda a sua loucura por aquela mulher.

Sempre viu no olhar de Chloe essa segurança, foi por isso que a recrutou para o seu time. A embalagem pequena não passava de um disfarce para a força da natureza que Chloe Sullivan era. Sempre soube e foi por isso que confiou nela, Chloe era a mulher que queria ao seu lado em uma emergência. Seus olhos sempre emanaram fidelidade, força, o coração que lhe faltava em muitos momentos. Nunca foi cego, Chloe não era uma pessoa comum, nascida para banalidades e simples existência.

Um sorriso rompeu sua resistência à consciência quando se imaginou sendo arrebatado por ela na primeira noite juntos. Quando achou estar surpreendendo com suas jogadas e foi arrasado por essa mulher arrasadora. Isso por que só tinham dormido abraçados, imaginou como seria se naquela noite na cozinha tivesse ido até ela. Teria se apaixonado pela segunda vez? Teria? Achava que sim.

Quando percebeu estava afundando o nariz nos cachos loiros, apertando seu abraço em volta dela, se inclinando mais sobre o seu corpo pequeno e quente. “Bom, dia”, disse contra sua nuca e colocou o edredom entre eles, saindo devagar da cama.

Queria tanto se lembrar dela, deles, acordá-la com um beijo e ter a vida que ela dizia que eles tinham. Daria tudo para se lembrar, mas não conseguia e esse buraco continuava lhe roubando o momento presente. Chloe merecia mais, na verdade desconfiava de que ela merecesse tudo.

Voltou para o seu quarto de repente frio e tomou um banho rápido. Precisava resolver algumas coisas no escritório antes que Chloe acordasse. Ela estava melhor, mas queria passar o dia a sua disposição para que ela pudesse continuar descansando. Além disso de tempos em tempos um problema lhe vinha a mente. O seu novo investidor. A visita dele a suas instalações, ou a partes muito bem escolhidas dela, era na verdade uma desculpa para vê-lo de perto e acabar com uma suspeita, ou confirma-la.

Foi para a sala em vez do escritório e deixou o som baixo da TV lhe fazer companhia enquanto se atualizava. Muita coisa podia mudar no mundo dos negócios em apenas um dia e havia feito à escolha de passar o dia anterior com Chloe, sem internet, telefone ou contato com sua secretária. Faria de novo, é claro, mas agora tinha muitas informações para absorver.

“Oi”, Chloe chamou do hall. Tinha dormido como uma pedra e acordado sozinha e meio desorientada. “Oliver?”.

Oliver tirou os olhos da tela do computador em seu colo e olhou para ela, meio surpreso. “Oi”, ele olhou em volta e para o relógio na tela da TV, que marcava dez da manhã. Ele estava li há três horas. “Você levantou?... Claro, são dez da manhã e eu não fiz o seu café. Você deve estar faminta.”

Chloe deu um sorriso para a falta de jeito dele e se aproximou fechando o cinto do robe. “Na verdade, eu não estou com fome... Só de café, é claro”, ela se corrigiu enquanto se sentava ao lado dele no sofá. Queria se aninhar em seu peito, mas de novo se impediu de fazer isso. Acordar durante a noite e sentir Oliver abraçado a ela foi como um sonho que sabia que acordaria querendo mais.

“Isso significa que você está bem?”, Oliver riu e olhou nos olhos dela, sentiu um pouco do calor da sua presença e sem pensar muito passou um braço em volta dela, puxando Chloe para mais perto. “Sério. Como você está se sentindo?”

Seus dedos agarraram a camiseta dele, Chloe se acomodou ao seu lado e deixou sua cabeça descansar sobre o peito largo dele, como sempre fez. “Melhor”, ela fechou os olhos e fingiu que nada havia mudado, que aquela era a pessoa que mais a amava no mundo, que olharia para ele e sem precisar dizer nada ele se inclinaria e lhe beijaria. “Obrigada por ficar comigo”, ela abriu os olhos e olhou para ele.

Quis se inclinar e quis mais que tudo beija-la, mas aquela voz grave em sua cabeça ainda lhe dizia que não era a hora. Que ainda precisava consertar um monte de coisas e burradas para ter direito a toca-la como ela merece. “Não precisa agradecer. Ainda mais por que eu não fui nada legal, tirando seu espaço.”

Chloe deu um sorriso pequeno e olhou para as próprias mãos. Podia ficar decepcionada, mas não queria demonstrar. Então deu de ombros e suspirou bem alto. “Tudo bem. Eu já me acostumei a dividir não só a cama com você, mas o travesseiro também.”

Oliver mordeu o sorriso. “Aposto que você quis voltar a dividir o Talon com sua prima depois de descobrir que não roubo só a coberta.”

“Sei lá”, Chloe cruzou os braços para dar mais dramaticidade a sua atuação. “Acho que tenho o dom para mártir mesmo, por que você fica com metade do meu travesseiro desde a primeira noite que passamos juntos”.

“Por que você se casou comigo?”, Oliver perguntou se sentindo um pouco envergonhado. “Quero dizer, por que você continuou casada comigo depois que o feitiço by Zatanna passou?”.

Chloe apertou os lábios um contra o outro e considerou. “Bem. O sexo era razoavelmente bom”, ela respondeu e deu de ombros mais uma vez sem olhar para ele. “E eu estava desempregada, sem meu lugar na Watchtower, sem teto. Não tinha muito o que fazer para me ocupar”.

Oliver a soltou e cruzou os braços. “Deus, mulher. Esqueça que fiz essa pergunta. Acho que meu ego não aguenta tanto”, ele se afastou dela fazendo o mesmo drama. O silêncio foi quebrado pela risada curta dela e Oliver não conseguiu se manter no papel de ofendido e olhou para Chloe do outro lado do sofá. “Você é má”.

Chloe mordeu o sorriso e se aproximou dele. Aparentemente algumas coisas não podiam ser mudadas por uma pancada na cabeça, como a tendência a fazer drama do seu marido. “Se eu disser que foi por causa do seu olhar castanho, por me sentir segura e eu mesma cada vez que você olhava para mim...”, ela levou uma mão ao rosto dele, há tanto tempo não o tocava. “e que o sexo era mais do que bom, eu ganho café da manhã?”.

Oliver gargalhou colocou a mão sobre a dela, virando a cabeça para deixar um beijo demorado em seu pulso. “Você já disse”, ele falou sobre sua pulsação e olhou em seus olhos verdes. Chloe era muito mais do que esperou quando acordou no hospital semanas atrás e estava começando a acreditar que ele também. Ela estava lhe convencendo disso. “Vou fazer alguma coisa para você comer e já volto”.

Oliver apertou sua mão antes de levantar e Chloe sorriu. “Obrigada. De repente comecei a sentir fome. Acho que meu estomago está se recuperando”, ela olhou distraída para os papeis espalhados sobre a mesa de centro. “O que é tudo isso?”

Pegando uma panela em um dos armários Oliver olhou sobre o ombro. “Era para ser uma pesquisa, mas na verdade virou uma grande bagunça. Acho que perdi o jeito para stalkear possíveis investidores da IQ”.

Chloe ergueu uma sobrancelha, agora realmente interessada. “Duvido, mas, por favor, conte-me. Quem é esse investidor?”.

Oliver colocou algumas frutas sobre o balcão. “Ele é inglês e está em Metropoles para conhecer nossas instalações. O nome dele é...”

“Jack Portman”, Chloe respondeu por ele e levantou o olhar da pasta que tinha nas mãos. “Está aqui”, ela se encolheu.

Oliver sorriu e continuou. “Acontece que eu o convidei para ver o que eu quero que ele veja e poder tirar essa cisma, o que não dá pra fazer com um oceano entre nós... Sei lá, acho que essa sensação na verdade é totalmente infundada”.

Chloe olhou para os papeis com outros olhos. “Você quer que eu faça uma pesquisa sobre ele?”
Oliver parou o que estava fazendo e olhou para Chloe. “Absolutamente, não. Chloe você está doente e precisa de comida, não de trabalho”, ele respondeu enfaticamente e voltou a cortar a maçã que tinha na mão.

“Eu sei, você tem toda razão, mas Oliver, se você está preocupado eu estou e não é como se eu não tivesse feito isso para você outras vezes”, ela levantou uma sobrancelha. “Você já usou minhas habilidades outras vezes para pesquisa industrial e vai levar só alguns minutos, eu juro”.

“Chloe. Você deveria estar na cama agora, se cuidando e não cuidando de mim”, Oliver argumentou, mesmo sabendo com quem estava falando, a pessoa menos egoísta e mais altruísta que conhecia. “Então, por favor. Relaxe e espere sua comida chegar”.

“Ok. Mas e se eu prometer pesquisar apenas enquanto você prepara meu café e nada, além disso?”, Chloe tentou negociar. Ainda estava se sentindo doente, Oliver tinha toda razão em querer que fosse devagar, mas não conseguiria relaxar sabendo que ele estava preocupado com um possível investidor.

Oliver colocou as mãos sobre o balcão e a encarou. Chloe estava abatida, mas o olhar de determinação em seu rosto deixava bem claro de que aquela era uma briga perdida. “Você tem quinze minutos”, ele cedeu.

“Perfeito”, ela respondeu confiante e se inclinou para pegar o computador dele que estava sobre aqueles pobres papeis desperdiçados com impressões desnecessárias. Quinze minutos eram mais do que suficientes para conseguir a ficha completa de Jack e pessoas próximas. “Vamos ver quem é esse Jack Portman”.

Uma hora depois Oliver estava sentado no chão da sala recolhendo todos os papeis inúteis que havia imprimido sobre Jack, um dos homens mais honestos que surgiram nos últimos tempos interessados em colocar dinheiro nas Indústrias Queen. Tinha agora toda certeza de que poderia trabalhar com ele e graças à investigação de dez minutos que Chloe fez. Graças a ela também tinha corrido para remarcar o encontro com ele para o dia seguinte.

Olhou para Chloe dormindo no sofá e sentiu um misto de sentimentos. A fragilidade em seu rosto pálido o incomodava, mas não era capaz de diminuir a força que emanava do seu corpo, da sua presença. Talvez não fosse só ela a se sentir segura e ela mesma. A cada minuto ao seu lado se sentia mais confortável consigo mesmo, com essa versão tão madura que fora obrigado a encarar e mais seguro para ser tudo isso. Ela o inspirava, acabara de descobrir.

“Chloe?” sussurrou contra sua testa e notou que além de se mexer ela levou uma mão ao estomago. “Você quer voltar para a cama?”

Ela abriu os olhos devagar, mas não respondeu. Ficou ali olhando para Oliver, que estava a centímetros do seu rosto, olhando em seus olhos como se esperasse algo além de uma resposta. Chloe continuou em silêncio e tocou o maxilar quadrado de seu marido, podia sentir a respiração dele contra sua pele.

Oliver não perguntou de novo, só sentiu a respiração pesar no instante em que a mão quente dela o tocou. “Você ao menos quer um travesseiro?”

Chloe deu um sorriso largo e girou no sofá, se acomodando ainda mais. “Melhor marido”. Ela encolheu as pernas na tentativa de ficar ainda mais confortável enquanto ele ia ao seu quarto. Seus olhos já estavam quase fechando de novo quando Oliver voltou à sala.

“Parece que tem alguém querendo muito falar com você”, Oliver olhou para o celular em sua mão e o entregou a ela. “Estava tocando quando entrei no seu quarto”.

Chloe estranhou e pegou o celular, se sentando para verificar quem tinha lhe telefonado cinco vezes enquanto Oliver ajeitava o travesseiro.  Seus olhos cresceram quando viu de quem eram as ligações. “Foi Bruce. Alguma coisa deve ter acontecido, vou retornar”.

Oliver a observou ignorar o travesseiro que havia buscado e levantar com uma expressão preocupada no rosto. “Ou ele está com muitas saudades”, tentou brincar, mas não adiantou, a expressão dela não mudou nem um milímetro.

“Oi, Bruce”, Chloe ficou aliviada quando Bruce atendeu. “O que aconteceu?” perguntou imediatamente por que sabia que ele não telefonaria tantas vezes seguidas apenas para dizer oi.
Oliver começou a se preocupar e ficou ao lado dela, esperando. “Ele está bem?”

Chloe olhou para Oliver ao seu lado. “Vou pegar meus arquivos e te chamo em cinco minutos”, ela desligou e voltou sua atenção para ele. “Eu e Bruce estamos trabalhando há meses em um caso, sobre um promotor de Gotham que atuou em Metropolis há alguns anos e está envolvido com trafico internacional de armas. Acontece que ele agora é um senador eleito e sua rede ficou ainda maior”.

“OK”, Oliver assentiu.

“Eu e Bruce estamos colhendo provas há meses contra ele, tudo muito devagar, mas parece que Bruce conseguiu algo grande o suficiente para fechar nosso caso e ganhar uma matéria”, Chloe explicou calçando seus chinelos, criando na mente uma programação para escrita, entrega e provável prisão do senador.

Oliver tentou acompanhar entender e acompanhar o entusiasmo dela. “E por que vocês não passaram isso para Tess? Ela poderia ter ajudado, afinal os recursos estão todos lá” perguntou deixando de lado a outra pergunta de lado. O porquê de não ter contado para ele.

Chloe parou no meio do caminho para o quarto e olhou para Oliver. “Bem, por que esse é um projeto meu e do Bruce. Nós trabalhamos bem juntos e está tudo sob controle”, ela sorriu e continuou seu caminho.

Oliver tentou entender, mas ela não lhe deu a oportunidade. Se bem que teve boas horas livres para isso. Chloe e Bruce passaram as próximas quatro horas ao telefone. Planejando a derrocada do tal promotor senador. A Oliver só restou observar enquanto os dois trabalhavam e ficar fora do caminho. Chloe entrou no modo detetive e se não a obrigasse a comer teria passado a tarde falando e escrevendo, ignorando o fato de ainda estar se recuperando.

Poderia ter aproveitado para adiantar o seu próprio trabalho, treinar, mas não conseguiu se afastar. Chloe era adulta, aquela era uma situação de emergência, mas ainda achava que ela poderia precisar dos seus cuidados. O que começou a lhe irritar a certa altura do dia. Como ela podia largar tudo, inclusive sua recuperação para trabalhar com Bruce? Era ridículo, mas saber que Chloe e Bruce trabalhavam juntos lhe incomodava. Não sabia por que, mas incomodava. Talvez fosse a imagem enervante de Bruce que tinha na cabeça, imagem que nada combinava com a de um vigilante, muito menos a do Batman. Mas quem era ele para julgar, certo?

Quando começou a escurecer Chloe ainda estava trancada no escritório conversando com Bruce e Oliver resolveu que sairia para patrulhar naquela noite. Faziam três noites que não saia e já que Chloe não precisava dele, a cidade precisava. Foi para sua sala de treino e fez meia hora de preparação antes de ir se equipar. Estava quase vestido quando escutou a porta pesada atrás dele bater.

“Você resolveu patrulhar?”, Chloe perguntou parando atrás dele.

“Sim. Já faz tempo que não vou e já que você está melhor achei que seria legal dar a noite de folga a Clark”, ele respondeu sem olhar para ela, vestindo seu colete.

“Concordo”, ela disse se aproximando.

Oliver apertou os lábios um contra o outro e foi até o painel onde seus arcos ficavam expostos. “E seu projeto?”

Chloe parou ao lado dele e pegou a besta que sabia que ele escolheria.  “Em fase final. Já escrevi e mandei meu artigo para o meu editor, que vai ficar muito feliz em Star City. Agora é com ele e Bruce em Gotham. A matéria deve ser primeira capa amanhã e o senador com certeza vai almoçar no xadrez”.

Oliver viu a euforia na voz dela e se sentiu culpado por estar tão mau humorado, mas era mais forte que ele. “Parabéns”, ele forçou um sorriso e pegou a besta da mão dela. “Você merece”.

Chloe sorriu genuinamente. “Obrigada”, agradeceu e deu de ombros pegando duas flechas. “Mas o mérito da ultima prova é toda do Bruce”.

“Sim, ele tem crédito. O de te fazer largar tudo mesmo doente para passar uma tarde inteira ao telefone, de te fazer escrever um artigo, que aposto que está impecável em uma hora, quando deveria estar na cama descansando”

“Ollie”, Chloe ficou surpresa com o tom, com a mudança de atitude. “Eu estou bem. Sério”.

“Eu sei”, ele se virou para ela e fechou o colete. “Bruce deveria ter ligado ontem, assim você teria melhorado antes”.

“O que?” demorou alguns segundos para Chloe entender o comportamento dele. Já havia visto aquilo antes e também com Bruce. Só que não naquele grau ríspido. “Você está com ciúmes?” perguntou o cutucando no peito, achando um pouco de graça.

Oliver ergueu imediatamente as duas mãos no ar. “Uou. Eu não estou com ciúmes. Não seja ridícula, por que eu teria ciúmes?”

Chloe engoliu seco diante da rapidez com que ele negou e balançou a cabeça. “Claro! Por que teria ciúmes de mim, certo? Eu sou só... eu”, Chloe deu de ombros sem tentar esconder a mágoa com a rápida tentativa dele de afastar qualquer demonstração de interesse nela. “Eu desisto. Você nunca vai olhar para mim como uma mulher. Eu voltei a ser aquela Chloe para você.” Ela descartou as flechas que estava segurando na mesa e saiu da sala o mais rápido que conseguiu. Se negava a chorar, muito menos na frente dele.

Oliver ficou ali parado, sem reação, sem resposta, sem palavras, se sentindo cansado e muito, mas muito confuso. Mas talvez fosse melhor deixa-la sozinha por algum tempo. Tentar se desculpar no momento poderia ser ineficaz e em parte falso de sua parte. Então foi patrulhar de qualquer jeito. Só que nem a adrenalina de parar um grande assalto e uma agressão foi capaz de acalmar sua mente. De tirar Chloe da sua cabeça. A todo instante se via revivendo a ultima conversa e só ficava mais irritado consigo mesmo. Pensou em dezenas de respostas menos cretinas que poderia ter dado a ela quando foi acusado de estar com ciúmes. Ainda mais agora que estava cada vez mais claro para ele que tinha feito uma cena motivada pelo mais puro ciúmes.

Não quis admitir, mas ver Bruce ganhando toda a atenção de Chloe despertou algo dentro dele que nem sabia existir. Só que não soube lidar com isso e acabou descontando na pessoa errada. De repente sentiu uma vontade urgente de voltar para casa. “Watchtower. Estou encerrando a noite.” Avisou a Tess e mirou o telhado seguinte sem esperar uma resposta.

Foi direto para o quarto de equipamentos quando chegou à cobertura. Tirar seu traje e tomar um banho lhe daria tempo para pensar em um jeito de pedir desculpas que não parecesse algo superficial ou forçado. Como imaginou o apartamento estava quieto e escuro, ela havia se exilado mais uma vez no quarto de hospedes.  Então passou direto por ele e foi para o chuveiro pisando leve, mesmo sabendo que ela saberia que ele havia voltado são e salvo para casa.

Voltou vinte minutos depois com a mente mais clara e tranquila. Ainda não sabia ao certo o que dizer, mas estava se sentindo mais confiante para conversar com Chloe do mesmo jeito que ela sempre foi com ele, de forma franca. Empurrou a porta do quarto e logo notou a luz apagada, talvez ela estivesse dormindo, mas encontrou a cama vazia e arrumada. Seu coração deu um salto no peito.

Ela não estava no quarto e não estava no banheiro. Oliver voltou para o corredor se sentindo momentaneamente perdido. Onde ela estaria? Teria Chloe saído enquanto ele estava patrulhando ou enquanto tomava banho? Imagina-la fugindo dele causou um desconforto quase físico, algo que nunca tinha sentido antes na vida. Procurou no escritório, talvez ela tivesse voltado a trabalhar, mas nada. A sala também estava vazia, a cozinha. Quando estava começando a pesar se ligava para o seu celular ou não notou a porta para o terraço entreaberta. Se aproximou devagar e sentiu um peso deixar seu peito quando a avistou apoiada no parapeito.

Saiu para encontra-la e notou quando ela olhou ligeiramente de lado ao notar sua presença e voltou a encarar a vista de Metropolis em silêncio. Ela estava furiosa com ele, podia ver pela sua postura rígida, pelos braços cruzados diante do peito, como se estivesse abraçando a si mesma e principalmente pelo silêncio. “É claro que eu estava com ciúmes, Chloe. Com muito”, ele admitiu e tão estranho quanto verdadeiro foi ouvir as próprias palavras.

Chloe não disse nada, só apertou os braços em volta de si e ergueu a cabeça. Estava tão magoada e novamente cansada que não sabia se algumas palavras seriam capazes de melhorar alguma coisa.

Oliver se aproximou dela e a virou para olhar em seus olhos. Precisava que ela acreditasse nele. Ela continuou de braços cruzados, então segurou em seus cotovelos e olhou bem fundo em seus olhos verdes. “Eu não soube o que fazer com esse sentimento, eu fiquei confuso e extremamente irritado comigo mesmo. Por que Chloe, eu preciso ser sincero, às vezes, por milésimos de segundos eu me pego me corrigindo, dizendo para mim mesmo que não posso te ver assim. E acho que foi por isso que reagi daquele jeito, por que admitir estar com ciúmes seria admitir que te desejo”, ele engoliu seco antes de continuar. “E Chloe, eu te desejo, muito. Na verdade é só o que eu ando fazendo ultimamente. Olhando para você como uma mulher maravilhosa e querendo te tocar a cada segundo".

Sem pensar muito sobre o assunto se inclinou e pressionou seus lábios contra os dela. Eles eram tão macios quanto havia imaginado e ficou ali, até que precisou de mais. Oliver sugou o lábio inferior dela e a persuadiu a abri-los para ele. Um arrepio percorreu seu corpo no instante em que sua língua encontrou a dela no meio do caminho. Sabia que seu cérebro estava lhe enganando, mas era como se há muito tempo não beijasse uma mulher. A sensação de recordação acordou algo dentro dele.

Talvez fosse ridículo e piegas, mas Chloe se sentiu flutuar, como se seu corpo estivesse lhe escapando e para se manter firme precisasse se agarrar a ele. E foi o que fez. Há muito tempo não sentia o coração acelerar daquele jeito no peito, desde a primeira noite com ele depois de voltar para casa, quando era só incerteza e Oliver a recebeu na Watchtower com um buquê de rosas e um sorriso. Ouvi-lo dizer que a desejava tirou um peso esmagador do seu coração e agora, sentindo novamente seus lábios ferozes nos seus despertava o melhor desespero que já havia sentido. Ficou na ponta dos pés e agarrou o pescoço dele, o puxando para mais perto, para que pudesse aprofundar o beijo.

Oliver fez o que há muito tempo sentia vontade de fazer. Afundou os dedos das duas mãos nos quadris dela, sentiu mesmo que através do tecido fino do robe de seda o quão macia ela era. Gemeu sem perceber quando Chloe invadiu sua boca com a língua. Se pressionou conta ela e não se importou que ela percebesse o quanto estava excitado, na verdade queria que ela soubesse. Se sentiu motivado a subir suas mãos por debaixo da seda quando ela deixou sua boca para correr a língua por seu pescoço. “Oh, você é má, muito má” ele balbuciou enquanto ela mordia sua orelha.

Chloe sorriu e sussurrou contra a orelha dele. “Você quer que eu seja boazinha?”

Oliver se afastou suficiente para olha-la. “Eu quero que você volte a dormir no nosso quarto”.

Ela o olhou de lado, com desconfiança. “Por que, por um acaso você descobriu que dorme melhor quando está roubando meu travesseiro?”

Oliver riu e assentiu. “Na verdade sim. Minha cabeça pode estar meio bugada, mas parece que meu corpo sabe e tem certeza que sente uma falta enorme do seu”. Ele se inclinou novamente para beija-la, dessa vez um beijo mais lento.  “Então?” perguntou descansando a testa na dela.

Ela mordeu o sorriso. “Então eu digo que sim. Eu volto para o nosso quarto”, Chloe respondeu e alcançou a boca dele, precisava beija-lo de novo. Oliver passou um braço em volta da sua cintura e agarrou sua coxa com a outra mão, tirando seus pés por completo do chão. Agarrou-se a ele enquanto era conduzida ao seu quarto, quarto que estava morrendo de saudade.

E foi tudo tão familiar, mas novo. Ser deitada em sua própria cama, observa-lo tirar seu robe e camisola com maestria, beijar seus seios, o pequeno vale entre eles e parar ali para sentir as batidas do seu coração acelerado, correr os dedos em suas costas largas e empurrar a calça com a ponta dos dedos para fora de suas pernas ridiculamente longas, sentir a ereção do seu marido toca-la pela primeira vez tirando parte do seu ar. Naquele momento foi como se não houvesse nenhuma amnésia, como se aquela coronhada nunca tivesse sido dada, Oliver correu a língua por cada centímetro do seu estomago e barriga, separando suas pernas no final, a experimentando como um doce preferido que é deixado para o final. Tudo natural, menos a vontade que sentiu de chorar quando ele a penetrou. Os sentidos de felicidade e prazer acabavam de ser redefinido na sua mente.


Oliver sentiu cada músculo tremer quando se afundou nela. Por um segundo tudo o que conseguiu fazer foi deitar a cabeça no peito dela e sentir, deixar aquela sensação desconhecida fazer dele o que quisesse. Foi então que entendeu o que todos haviam lhe dito nas ultimas semanas, sobre como ele era com Chloe, fazia mais sentido agora que estava tão intimamente conectado e entregue a ela. Não sabia ser possível sentir aquilo, mas sentia. Se moveu devagar e quando voltou a se afundar nela Chloe segurou seu rosto entre as mãos. Soube ali, olhando em seus olhos que era certo.



CONTINUA...
Desculpem pela demora pessoas lindas. E deixem um comentário, nem que para xingar.










16 comentários:

  1. Adorei o Oliver todo enciumado do Bruce kkk e finalmente os dois ficando juntos , mas poxa você é má Roberta parou na melhor parte , mal posso esperar para o próximo capítulo.

    Aline

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  2. A primeira coisa que pensei em comentar foi: você é má Roberta, muito má!! Kkkkk
    Mas é uma má genial... Sabe o quanto amo o Bruce, e o quanto adoro os sentimentos que ele desperta no Oliver, e como despertou... \o/

    Você sabe como nos deixar querendo mais... Vou te xingar não, só porque você sempre nos compensa... Já estou aqui, ansiosa por mais! Obrigada por este capítulo incrível!

    Ah, e que 2017 seja lindo e abençoado, com muita paz e realizações!

    GIL

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    1. Aguento não, vou ler de novo!!!! Aaaaaahhhhh!! *-*

      GIL

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  3. Amei, não vejo a hora de ler o desfecho desta fic. Não tem como xingar vc kkk. Suas fics são demaisssss.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. tá tudo muito maravilhoso...to achando que vem algo não tão bom por aí kkkkkkk
    Continuaaaa, Roberta.

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  6. Ahhhh que saudade que eu estava!!!!
    Obrigada por não desistir da fic.
    Quando é q eles vão descobrir a gravidez da Chloe? ( essa é a minha suspeita XD)

    Noelle

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  7. Roberta, por onde andas?
    Queremos continuação...😉

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  8. sim queremos amo essa historia continua por favor

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  9. Betaaaa,cadê vc??

    Não nos abandonaa. Queremos o próximo capítulo.

    Bjs
    Nati

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  10. tbém esperando a continuação! bjs Su

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  11. Roberta minha flor, cadê voce? Tá viva?

    Num abandone suas leitoras assim não ... preciso de continuação urgente! Meu coração já não aguenta tanta espera.

    Bjs! Nati

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  12. Achei q ia ganhar presente hoje...to triste.
    Volta Robertaaaaa, posta capitulo novo pra gente, nao esquece de nós nao.
    Feliz dia das mães, pras mamães aqui do blog.

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