quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Persuasion of a Different Kind, tradução

Contém Spoilers de Persuasion. Na verdade, é a visão da Calie sobre como seria Persuasion (se o episódio fosse assim seria perfeito) ;D Os personagens não me pertencem e blá, blá, blá...

Um tipo diferente de Persuasão

“O que você fez?” Oliver perguntou com os dentes cerrados.

Clark soltou um suspiro alto e massageou o rosto. “Foi um acidente. Uma pedra preciosa de kryptonita está fazendo coisas que eu digo se tornarem verdade. Mais como realizando desejos.”


“E? Você desejou duas perseguidoras?” Oliver disse e apontou pra Lois e Chloe, que estavam desmaiadas naquela hora.

“Não,” ele sacudiu a cabeça, “Não foi assim.”

“Mesmo?” Oliver se inclinou e pegou seu arco do chão e o mostrou pro Clark. “Porque pra mim parecia que a Chloe estava prestes a colocar uma flecha no coração da Lois.”

“E como que ela aprendeu a fazer isso?” Clark perguntou rudemente, lembrando de se virar e ver sua melhor amiga na parte de cima do celeiro, flecha apontada pra Lois.

“Não vem jogar isso pra cima de mim. O que você desejou?”

Com um suspiro Clark sentou no braço do sofá. Ele olhou pra Lois, que no momento estava estirada no sofá, a cabeça virada pro lado num sono profundo. “Que Lois e eu pudéssemos ter um relacionamento mais tradicional. E que Chloe passasse mais tempo se preocupando comigo do que com todo mundo.”

Um lampejo de raiva passou por Oliver enquanto ele se lembrava de Chloe o afastando, proclamando que ela não podia se incomodar com ele e que precisava estar ao lado do Clark. “Você é realmente egoísta, sabia disso?” Clark virou a cabeça bruscamente e estreitou os olhos, mas Oliver não se intimidou nem um pouco. “Você finalmente está com Lois e ainda não está feliz. E por alguma razão, você espera que a existência da Chloe ainda gire em seu redor? Não vamos nos esquecer do fato de que você a abandonou como um amigo. Você tem muito a dizer sobre o que você acha que ela deve fazer, mas eu não te vejo fazendo nenhum esforço pra ir até ela pra algo além do que você precisa.”

“Não percebi você a apoiando tanto assim quando você estava por aí bebendo por um mês,” Clark respondeu. “Não acho que deveria estar me dando lição de moral.”

“Talvez não,” ele admitiu, lembrando-se do terrível mês. Ele estava envergonhado da maneira que tinha agido e ele sabia que não havia muito a fazer pra recompensar por sua desatenção, seu descuido. “Mas eu pelo menos posso dizer que fiz um esforço pra estar lá pra Chloe. O que é mais do que eu posso dizer de você.” Ele deu as costas pro Clark e olhou pra loira dormindo na poltrona. Por mais que ele agora soubesse o motivo dela ter dito o que disse, isso ainda não tinha apagado completamente a dor que as palavras dela causaram, dor pra qual ele não estava mesmo preparado. Foi bem depois de falar com o Clark sobre o comportamento estranho da Lois que ele somou dois mais dois e se apressou pra voltar pra Torre de Vigilância só pra encontrar a porta de onde ele guardava seus equipamentos aberta e seu arco sumido. Ele pegou a balestra, carregada com dardos tranqüilizantes, e correu de volta pra fazenda. Vinte minutos depois ele encontrou Chloe apontando uma flecha pra Lois. Ele as derrubou em segundos, com os tranqüilizantes.

“Pegue minhas coisas,” Oliver mandou e se abaixou pra pegar Chloe em seus braços.

“O que você está fazendo?” Clark perguntou quando ele se levantou, confuso pela visão de Oliver levantando Chloe.

“Estou tirando ela daqui antes que ela tente outra vez com Lois. Ou antes de você fazer mais pedidos. Além do mais, você realmente acha que ela pode me derrubar com uma flecha?” Clark não viu o jeito que ele riu de leve quando olhou pra mulher dormindo em seus braços. Desconsiderando como a situação podia ter sido mais séria e o fato de que Lois estava do outro lado da flecha, Oliver tinha que admitir que ele estava meio que orgulhoso.

“Ela teria atingido Lois?” Clark perguntou seguindo Oliver, arco, balestra e flechas nas mãos.

“Você estava lá, então acho que não,” Oliver disse simplesmente e andou em volta do seu carro até a porta do lado do passageiro.

“Não é o que quis dizer e você sabe disso. Você me disse que não era qualquer um que pode pegar seus arcos e usá-los.” Clark abriu a porta do carro de Oliver e se afastou. Ele esperou Oliver colocar Chloe no banco e colocar o cinto nela.

Depois de fechar a porta e se endireitar, Oliver virou pra encarar Clark. “Se você está perguntando se a flecha da Chloe teria acertado a Lois, definitivamente. Ela tinha mirado pra matar e eu posso te garantir que ela não ia errar. E se você está me perguntando se eu a ensinei a usar o arco então a resposta é sim.”

“Não acha que ela já está em perigo suficiente?” Clark desafiou.

“Chloe estará em perigo não importa o que aconteça. Você não pode controlar isso e eu também não. Mas ao menos eu posso lhe dar uma maneira a mais de se proteger e nisso ela não fica com a cara enfiada nos computadores, bloqueando o resto do mundo.” Ele se afastou de Clark e parou ao lado da porta. “Conserte isso. Porque se eu tiver que tranqüilizá-la novamente porque ela quer me matar por ficar no caminho dela, eu não vou ficar feliz.”

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Chloe gemeu e contraiu-se quando abriu os olhos.

“Bom dia, bela adormecida.”

Ela virou e procurou pela voz familiar. “Oliver?” Então ela lembrou. A conversa com Oliver, ela pegando o arco e a flecha dele, e dirigindo pro celeiro com a intenção de matar Lois. “Lois!”

Ela saltou pra fora da cama, mas as mãos dele nos ombros dela a impediram de fazer algo mais que sentar. “Ela está bem. Foi um tipo de pedra preciosa kryptoniana. Levou as palavras do Clark ao pé da letra. Ele disse que queria que você desse mais atenção pra ele e não pros outros. O resultado final foi você apontando uma flecha pra Lois.”

“Oh, Deus.” Ela cobriu a boca em choque. “Eu quase a matei.”

“Sim, mas Clark estava lá e ele não deixaria isso acontecer. E eu cheguei lá a tempo. E me desculpe por isso. Os dardos tranqüilizantes te deixarão com um pouco de dor de cabeça. Ela finalmente pareceu focar-se nele. “Como você se sente?”

“Você fez aquilo?” Chloe perguntou lembrando-se vagamente da dor no pescoço.

“Sim.” Ele a observou levar a mão pra nuca e depois retrair-se. Ele sentiu uma pequena pontada de culpa e levantou a própria mão, tirando as dela gentilmente do caminho, e esfregou a pele do pescoço dela suavemente apesar de saber que não iria diminuir a dor.

Ela encontrou os olhos dele e o encarou em silêncio enquanto ele gentilmente massageava seu pescoço. Saber que a vida de Lois estava a salvo e que tinha sido algum tipo de pedra kryptoniana que tinha a feito ficar louca tornava mais fácil se focar em outras coisas, como o que ela tinha dito pro Oliver. “Me desculpa, pelo que eu disse. Tudo mesmo. Eu não queria dizer nada daquilo.” A preocupação no rosto dele desapareceu, deixando sua voz livre de qualquer emoção.

“Tá tudo bem.” Ele tirou a mão do pescoço dela e se moveu pra levantar. “Não era você.”

“Eu sei.” Ela agarrou a mão dele para impedi-lo. “Mas você pensou que eu queria dizer aquilo e eu sinto muito por isso. Não abriria mão de nada disso, especialmente não pelo Clark. Quero dizer, Clark é importante pra mim, mas o resto do time também é, e você também é.”

“Chloe...” Ele sorriu gentilmente, e rezou para que não aparentasse tão forçado como ele sentia que era. “Tá tudo bem.” Ele pegou a mão dela e tirou do pulso dele. “Eu entendo. Você não tem que tentar me convencer. E eu sei muito bem que você conhece o Clark há muito mais tempo, não tem nada de errado com a amizade dele ser mais importante.” Mesmo que Clark tenha sido um total idiota com ela no ano anterior.

Ela observou ele se levantar e engoliu seco. Mesmo que ele soubesse que ela não queria ter dito nada daquilo e mesmo que ele dissesse que aceitava as desculpas dela, alguma coisa ainda não estava certa. “Mas não é assim. Quero dizer, Clark é importante pra mim, mas as coisas são diferentes agora.” Ele se virou lentamente para encará-la, e ela quase teve a impressão de que ele estava esperando. “Você sabe disso. Clark e eu, as coisas mudaram.”

Ele sacudiu a cabeça, afastando sentimentos que rasgavam a superfície com suas garras, querendo ser libertados da prisão que ele os colocou. “Isso não importa, Chloe.”

Ele se virou de novo e ela saltou da cama não familiar, a cama dele. “Não me diga isso. Não aja como se eu não lembrasse o que você falou.” Dessa vez quando ele olhou pra ela a máscara de calma que ele havia colocado tinha ido embora. Os olhos dele eram duros, o maxilar travado. E ele desejou que pudesse retirar o que disse. Ela o cegara mais cedo quando o afastara, pra sempre pelo que parecia na hora. Independentemente do que ele sabia agora, a lembrança dela tão calma e serena, o deixando de lado e depois dizendo o quanto Clark precisava dela...

Flashback

“Ele precisa de mim, Oliver. Em qual propósito maior eu posso ser útil do que devotar meu tempo ao Clark, provavelmente a pessoa mais poderosa nesse planeta? Estou feliz por fazer o sacrifício por ele. Tudo mais, todos os outros, bem, eles não importam.”

Ele a observou andando, desligando os equipamentos, nem sequer dispondo de um olhar de preocupação pra ele. No começo pareceu uma péssima piada, porque a idéia de que Chloe iria abandonar tudo pelo que ela trabalhou, tudo pelo que ela trabalhou com ele pelo Clark parecia ridícula. “Isso é ridículo. O que há de errado com você?”

“Nada.” Ela virou pra ele e deu de ombros. “Na verdade, pela primeira vez tudo está claro pra mim. Não há o que temer do meu futuro ou de onde eu pertenço. Eu sei agora. Meu futuro é com o Clark, ao lado dele, protegendo-o, ajudando-o. Ninguém mais importa, não quando sei que ele precisa de mim.”

“Precisa de você?!” Oliver exclamou com raiva. “Ele precisa de você quando é conveniente pra ele! Mas não o vejo estando ao seu lado quando você precisa dele!”

“Eu sabia que você não entenderia.” Ela sacudiu a cabeça e pegou a bolsa. “Mas eu realmente não tenho tempo pra conversar sobre isso, Clark precisa de mim.”

Nem mesmo uma desculpa, ou uma explicação que fizesse sentido. Ele agarrou o braço dela mais forte do que pretendia, a fúria borbulhando até a superfície e o cegando. “E quanto a mim? Você não acha que eu preciso de você aqui?” ela abriu a boca pra falar, mas ele pegou seu outro braço e a puxou contra ele. “Posso te garantir que o Clark não precisa de você metade do que eu preciso, Chloe, e eu sei que ele não se preocupa com você da mesma forma.”

“Sério, Oliver,” ela pressionou a palma da mão contra o peito dele e se afastou, “Não posso conversar, eu tenho que ir.”

Ele deixou as mãos dele caírem dos braços dela, chocado demais com a total desconsideração dela pelos sentimentos dele até para segurá-la. Foi como um tapa na cara que o deixara frio e vazio.

Fim do flashback


“Portanto não me diga que não importa quando obviamente importa. Porque dizer aquilo então?”

“O que mais eu poderia dizer?!” ele exclamou, finalmente perdendo as rédeas de suas emoções. “Você estava saindo por aquela porta! Eu achei que se talvez você entendesse você pararia por um minuto. Mal sabia que você não estava funcionando a pleno vapor.”

Ela escolheu ignorar o golpe e continuou. “Eu estou tentando entender agora. Estou tentando te dizer que não é mais só sobre o Clark e até ele deve saber disso.” Ele se virou de costas pra ela e ela sabia que ele não diria mais nada voluntariamente. “Então agora você vai agir como se isso não importasse? Jogar isso pra cima de mim?”


Ele girou a cabeça bruscamente, um pouco surpreso com ela sequer achar que era isso que ele tentava fazer. “Não é assim. É claro que importa.”

Ela não queria discutir com ele e suspeitava que não restava muito nela pra encontrar as palavras pra discutir. Ao invés disso, ela deu um passo à frente, hesitante, ainda mantendo os olhos nos dele, e envolveu seu pescoço com os braços, impulsionando-se na direção dele e enterrando o rosto no peito dele. Houve um longo momento em que o coração dela pareceu parar em seu peito e ela temeu que ele fosse se afastar, tirar as mãos dela do pescoço dele. No entanto, o momento terminou rapidamente quando ela sentiu os braços dele envolverem sua cintura e a puxar fortemente pra ele. Pela primeira vez ela suspirou aliviada.

Ele deixou os olhos se fecharem enquanto seu corpo o traía e relaxava contra o dela. Ele a puxou mais pra perto, mesmo que uma pequena parte dele ainda insistisse para ele afastá-la.

Ela se prendeu ainda mais ao pescoço dele, com medo de soltar e de alguma forma arruinar o momento entre eles. “Eu preciso de você também,” Chloe disse finalmente, com medo do quão exposta as palavras a deixavam e aliviada por isso estar esclarecido. “E o jeito que eu me sinto por você,” ela engoliu seco e fechou os olhos com força, “é diferente do jeito que eu me sinto pelo Clark.”

Ele não disse nada em resposta, mas a segurou mais forte, levantando-a até que apenas os dedos dela tocassem o chão e enterrou o rosto no pescoço dela. Ela suspirou quando a respiração quente dele acariciou seu pescoço e os lábios dele pressionaram de leve a região logo abaixo da orelha dela. “Esse foi um dia bem ruim,” Chloe admitiu. As mãos dele moveram-se pelas costas dela, acariciando gentilmente. “Você acha que alguém vai ficar com raiva por eu ter tentado matar a Lois?”

Ele sorriu no pescoço dela e resistiu à vontade de rir. “Eu acho que Clark se sente culpado o bastante, e Lois, pelo que ouvi, está tentando esquecer que ela chegou a tentar se casar com Clark.”

Chloe se afastou e olhou pra ele em confusão. “Ela estava usando um vestido de noiva, não estava?”

Ele fez que sim e se endireitou, deixando um dos braços em sua cintura mas levantando o outro para que pudesse tirar umas mechas de cabelo loiro da bochecha dela. “Ela estava. É claro que isso veio depois dela se demitir do Planeta e se mudar pra casa dele.”

Os olhos dela arregalaram-se em surpresa. “Uau. Claro, minha saída dos trilhos não foi nem um pouco menos maluca.”

“Não,” ele fez com que ela apoiasse o rosto na mão dele, acariciando sua bochecha com o polegar, “mas eu tenho que admitir, esquecendo o fato de que você quase matou a Lois, você ali, com a flecha apontada perfeitamente, foi bem mais excitante do que Lois se tornando dona de casa.”

Os dedos dele deslizaram pelo cabelo dela e ela logo o sentiu guiando sua cabeça pra trás. “Eu tive um bom professor.”

“Você teve um professor excepcional,” Oliver sussurrou rente aos lábios dela antes de pressionar os dele contra os dela.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sleeping Beauty, tradução


BlueSuedeShoes novamente. Eu particularmente adoro essa ;D


Ela estava fazendo aquilo de novo, Oliver pensou irado, olhando pra Chloe. Mais uma vez ela tinha dito que não estava cansada, que tinha dormido tudo que precisava na noite anterior, e que ela estaria bem pra encontrar-se com ele aquela noite... E aí ela desmaiou no sofá dele depois de quinze minutos. Ele revirou os olhos. Não era justo. Ele tinha planejado... Bem, conversar com ela sobre umas coisas. Mais especificamente sobre eles.
Não que houvesse um ‘eles’ de verdade. Ele achava que era sobre isso que ele queria falar. É claro, ele não tinha absolutamente nenhum plano além desse. Tudo que sabia era que tinha prometido a si mesmo que ele não iria pra cama naquela noite a menos que ele tentasse dizer a ela como se sentia.
Ela gemeu em seu sono e virou de bruços, fazendo Oliver gemer. Simplesmente não era justo.
Ele não ia deixar ela escapar com isto. Era tudo que ele sabia.
Ele marchou pela sala até ela com toda intenção de sacudi-la com certa violência pra acordá-la; Claro que essa ambição morreu no instante que ele estava a alguns centímetros dela. A expressão tranqüila no rosto dela era demais. Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos, aborrecido. Depois, tentativamente, ele passou a mão pelas costas dela, acariciando o ombro de leve. Ela fez uma careta engraçada e afundou o rosto no sofá.

“Parceira,” ele sussurrou.

“mmmmm” Foi a única resposta que ele podia esperar. Ele sorriu, acariciando a bochecha dela com o polegar. Então, o mais gentilmente que pôde, ele a moveu para o lado pra sentar perto dela. O resultado foi que ela acabou enfiando os dedos dela debaixo da perna dele e repousando a cabeça no colo dele. Ele suspirou desesperado. Se ele a acordasse naquela hora, ele não chegaria a lugar nenhum com ela.
Ele percorreu a extensão do braço dela com as mãos, acariciando-a distraído enquanto a observava dormir. Ele estava chegando a lugar algum rápido.
Não que ele se encontrasse preocupado, de qualquer forma. A mão dele deslizou do ombro para os lados dela, apertando de leve, com a intenção e a esperança de que ela acordasse, mas ela não o fez. Ela estava mesmo apagada. Ele vagamente imaginou qual tinha sido a última vez que ela teve uma noite de sono decente. Com tantas ocupações na Liga da Justiça, ele tinha a impressão de que já fazia algum tempo.
Ele ficou bem parado quando ela se mexeu no sono, tirando a mão que estava debaixo da perna dele e colocando o braço em cima do dele, segurando-o perto da barriga.

Ele reprimiu um gemido. Isso seria muito difícil de explicar quando e se ela acordasse. Com um suspiro, ele cuidadosamente a pegou em seus braços e a carregou do sofá para a cama, onde ele a deitou delicadamente.
Sentado na ponta da cama, ele a olhou com dúvidas. Talvez fosse um sinal de que ela ainda não estava pronta. Ele finalmente teve a coragem de falar do assunto e ela o demovia disso brilhantemente.
Ele não podia argumentar com ela se ela nem lhe dava uma chance de trazer o assunto à tona. Ele lançou um olhar irritado pro teto. E então, num repentino capricho, ele começou a falar calmamente com ela, baixo o bastante para que não a acordasse.

“Bem, isso é basicamente sem sentido porque você está dormindo e não vai ouvir uma palavra sequer, mas eu pensei que você deveria saber que descobri que estou apaixonado por você. Não sei como aconteceu, ou quando. Apenas aconteceu. E eu tinha toda a intenção de discutir com você esta noite por todo o tempo que precisasse pra te convencer a ser minha namorada, mas--” ele sacudiu a cabeça. “Bem, é sem sentido, como eu disse. Eu estou ciente disso há alguns meses, e eu acho que eu apenas fiquei sentando na esperança de você magicamente dar o primeiro passo. Não que eu realmente esperasse que isso fosse acontecer, mas você me conhece, sou horrível nessa coisa de ‘agora vamos compartilhar nossos sentimentos’.”
Ele suspirou outra vez.

“Bem, de qualquer forma,” ele disse, inclinando-se e tirando o cabelo do rosto dela pra dar um beijo em sua bochecha. “Durma bem, parceira. Você fez por merecer,” ele sussurrou. “Amo você.”

E ele saiu do quarto desanimado, indo pro sofá. Ele pegou um travesseiro e um cobertor e estava desabotoando sua camisa quando sentiu uma mão deslizar em seu peito vinda de trás, puxando-o de leve até que o corpo dele encontrasse o dela.
Chloe pressionou o rosto em suas costas musculosas e respirou longa e lentamente, sentindo o cheiro do perfume dele e... apenas... dele.

“Meses, huh?” ela riu suavemente. “Você realmente é horrível em se comunicar.” Ela deu um beijo no ombro dele antes que ele virasse pra encará-la, uma leve sensação de mortificação aprofundando-se.

“Você estava acordada?”

Ela sorriu discretamente e fez que sim com a cabeça.

Oliver gemeu por dentro. “Por quanto tempo?”

“Ah... um tempo depois de você se juntar a mim no sofá.”

Ele revirou os olhos. “Ótimo.”

“Oliver?”

“Sim?”

“Você é um idiota.”

Antes que ele pudesse responder ela o trouxe pra perto no mais suave dos beijos, movendo seus lábios lentamente, carinhosamente e cansadamente contra os dele. Era o bastante pra mandar eletricidade pelo corpo dele inteiro e para dizer exatamente quão exausta ela realmente estava.

“Você devia voltar pra cama,” ele suspirou no beijo dela, seu coração mais leve do que ele lembrava estar desde sempre.

Ele sentiu o sorriso dela contra seus lábios e acenou levemente. “Só se você vier comigo,” ela disse baixo, puxando a camisa dele para levá-lo com ela enquanto ela voltava pro quarto. Ele riu, pegando-a pelos braços pela segunda vez e a carregando pra cama. Dessa vez, no entanto, ele foi pra cama com ela depois de deitá-la. E ela imediatamente se aninhou no peito dele, permitindo que ele a envolvesse com os braços.

“Boa noite, parceira,” ele sussurrou.

“Mmmm...”

Ele pensou que ela já tinha caído no sono, mas um momento depois ela falou novamente.

“Ollie?”

“Hmm?”

“Esqueci de mencionar. Eu também amo você,” ela disse com a cabeça no peito dele.

Ele riu suavemente. “Vai dormir, Chloe.”

Ela sorriu e o obedeceu em pouco tempo.

Oliver mergulhou então num descanso contente, pensando consigo mesmo o tanto que ela ficava linda dormindo.

Bad Ideas, Good Decisions, tradução.


Com os devidos créditos pra BlueSuedeShoes
Ignorem os erros ;D já era madrugada quando eu revisei.


Oliver podia pensar numas cem razões pelas quais ele não deveria estar olhando pra Chloe do jeito que estava. No topo da lista: ela era prima de sua ex-namorada (por mais que já tivesse acabado há muito tempo). Ela era melhor amiga de Clark Kent, que provavelmente o mataria se ele pudesse ler a mente de Oliver agora. Finalmente, ela trabalhava pra ele, e olhar pra ela dessa forma era sem dúvida a forma de abrir uma porta que levaria eventualmente a um processo. Todas ótimas razões pra parar de olhar pra ela daquele jeito.
Mas Oliver não podia evitar.
Não era totalmente culpa dele, ele se defendeu em pensamento. Ela era a que tinha escolhido usar aquele vestido verde-oliva frente única, que mostrava as pernas dela até demais. Ele sentiu o ciúme queimar dentro dele quando outro homem a ofereceu uma bebida. Desde quando ela atraía tanta atenção pra si mesma?
Uma morena insistia em conversar com Oliver, dando a entender descaradamente que queria ir pra casa com ele, mas desde o momento que Chloe tinha entrado por aquela porta, sua atenção estava fixa exclusivamente nela. Ela não tinha o visto quando ela entrou. Ela foi direto pro bar, sozinha, e pediu um Martini. Finalmente ele deu uma indireta pra morena de que não estava interessado e ela saiu, procurando um novo alvo. Ele levantou da mesa que estava e se aproximou de Chloe lentamente, não totalmente certo do que estava pensando, vários alarmes em sua cabeça, tentando dizer que aquilo era uma má idéia.
O problema era que ele não tinha certeza de qual era a idéia. Ele apenas sabia que estava cansado de ver todos aqueles homens se atirarem pra Chloe, que por sinal, não estava fazendo a parte dela em desencorajá-los.
Ele estava prestes a tocar o ombro dela quando ela falou, sem se virar pra ele. “Oi, Ollie.”

“Você sabia que eu estava aqui?” ele se viu sorrindo quando ela girou na banqueta do bar.

“Vim te levar pra casa,” ela disse

“Não pode estar falando sério,” o sorriso saiu do rosto dele. “Mas espera... você nem me procurou quando entrou.”

“Sabia que viria aqui eventualmente. Nós dois sabemos por que está aqui, Ollie.”

“E porque, então?”

“Porque Lois e Clark estão comemorando o aniversário deles hoje à noite. Então, de repente, boates barulhentas, mulheres gostosas e bebidas fortes se tornam dez vezes mais atraentes pra Oliver Queen, que sabe mais do que isso a essa altura, secretamente.”

“Não me meti em nenhum problema, e eu mal estou na metade do que precisa pra ficar bêbado.”

“Eu sei. É por isso que apareci agora. Você se divertiu. Estou apenas garantindo que isso termine antes que se torne outra coisa.”

“Ei, linda, esse cara está te incomodando?” Um cara de cabelo
escuro, um sorriso sedutor e um colarinho desarrumado se apoiou no balcão do bar perto de Chloe, que lutava consigo mesma pra não sorrir.

Oliver praticamente rosnou pra ele. De onde ele tinha saído?

“Eu te direi,” Chloe piscou pra ele. “Mas no momento, não, ele não está.” O cara acenou e saiu de lá, contente pelo momento.

Oliver arqueou as sobrancelhas pra ela.

“O que?” ela deu de ombros.

“O que você tava fazendo dando pra aquele ensebado o melhor momento do dia dele?”

O canto da boca de Chloe estremeceu num quase sorriso. “Com ciúmes, Arqueiro?”

Oliver zombou da idéia. “Dificilmente.”

“De qualquer forma, você deveria falar. Não é como se você fosse muito exigente, e eu tenho direito de flertar com quem eu quiser.”

Oliver se percebeu ficando com raiva rapidamente. “É diferente. Eu não vou deixar que tirem vantagem de mim.”

“Que fofo. E eu aqui pensando que o cavalheirismo estava morto.”

“Você veio aqui pra brigar comigo mesmo?”

“Não, já te disse. Vim te levar pra casa antes que faça algo estúpido.”

“É a mesma coisa.”

“Dificilmente.”

“Quer apostar?”

“Ah, Oliver, apenas desista. Você não vai se divertir, mesmo se ficar. Você só vai ficar todo pensativo e conseguir uma ressaca das fortes. E você vai fazer isso sozinho.”

“Como você sabe que eu estarei sozinho?” ele retrucou antes que pudesse parar.

“Oliver, por favor. Você está falando comigo agora, o que quer dizer que você já dispensou todas as mulheres que ficavam segurando seu braço no começo da noite. Admita, você não quer uma noite só com uma qualquer que só está interessada na sua carteira.”

Oliver abriu a boca pra discutir, mas depois fechou, pensando melhor. Daí, “Ainda não quer dizer que vou embora. Talvez eu queira ficar miserável e sozinho.”

Chloe suspirou, sua expressão suavizando. Ela deslizou a mão pela lapela do casaco dele. “Oliver, vamos lá. Me deixe te levar pra casa.” Ela se levantou pra encorajá-lo; “Vai ser tão ruim assim se você parar de afogar suas mágoas antes do nível alcoólico do seu sangue começar a bater recordes?”

“Talvez.”

“Ollie!”

“Vou fazer um acordo com você.”

Ela arqueou a sobrancelha curiosamente, esperando.

“Você toma mais um drinque comigo. Assim eu posso ficar um pouco mais embriagado e você pode ficar de olho em mim. Depois vamos embora, se, e apenas se, você concordar em ficar comigo hoje.”

Chloe pareceu um tanto chocada.

Ele ergueu as mãos. “Nada com uma segunda intenção, eu prometo. Só quero a companhia. Me recuso a ficar sozinho com o silêncio esta noite. Foi por isso que vim aqui,” ele explicou.

Chloe concordou, entendendo. A batida da música fazia com que ela se sentisse como se estivesse num mundo diferente desde o momento que ela entrou pela porta giratória. Ela ainda hesitava. Passar uma noite inteira sozinha com Oliver Queen? Era sinceramente uma má idéia. Naquela altura, no entanto, ela concordou novamente. “Está bem. Mas eu te deixo se você tentar alguma coisa,” ela acrescentou.

“E aí eu vou acabar voltando pra boate,” ele retorquiu.

Eles se olharam. “Tá bem, tá bem!” Chloe se rendeu.

“Excelente, o que você está bebendo?”

“Martini,” ela disse.

“A propósito, lindo vestido.” Ele mencionou. Quando o barman entregou as duas bebidas. Ele começou a andar pra longe.

“Onde você está indo?” ela questionou.

“Hum, pra longe do bar,” ele disse como se fosse óbvio. “Você realmente acha que eu quero que esse drinque seja desperdiçado ao brigar com todos os caras tentando te agarrar ali?” Chloe não podia evitar. Ela sorriu. Oliver era fofo quando estava com ciúmes. Porque ele estava com ciúmes ainda era um mistério, mas era fofo de qualquer forma.

“Agora,” ele disse, quando estavam sentados lado a lado, “se importa em me explicar esse vestido?”

Chloe franziu as sobrancelhas. “Como assim?”

“Bem, você disse que veio aqui pra me levar pra casa. Isso não precisava que se arrumasse toda, e eu estou supondo que não é pra mim.”

“Talvez seja pra você,” Chloe provocou, sua voz baixando um tom enquanto ela se inclinava pra ele sedutoramente.

Oliver pigarreou e puxou seu colarinho. Ele definitivamente ainda não estava bêbado o bastante. Ele tomou um gole de seu drinque sem olhar pra ela.

Chloe riu e se afastou. “Eu decidi que iria sair esta noite sozinha, mas aí eu descobri que você tinha adentrado em um de seus estados de mau humor, então decidi ao invés disso vir te procurar. E de qualquer forma, eu sabia que demoraria um pouco pra você me encontrar, então eu decidi aproveitar enquanto durava.”

“Sinto muito por arruinar sua noite,” Oliver disse sarcasticamente. Ele sentia um desprazer distinto pela idéia de Chloe sair pra alguma boate ou bar sem um acompanhante, deixando os homens darem em cima dela.

Ela o estudou por um momento e então suspirou. “Você não está arruinando minha noite, Ollie. Quer saber da verdade? Eu estou meio que feliz por você ter me dado a desculpa pra vir atrás de você. Eu também não queria ficar sozinha e miserável esta noite. Era por isso que eu ia sair. Eu só não queria ficar embriagada e acabar na cama com alguém que eu nem sei o sobrenome.” Oliver estava em silêncio, então ela continuou, determinada a convencê-lo de que não estava de alguma forma sendo um fardo pra ela. “E sinceramente, eu nem gosto dessa coisa de ir de bar em bar numa noite. É apenas bom pra mim, sair uma vez ou outra, e sabe, eu sempre esqueço o quanto pode ser bom ser flertada de vez quando até que aconteça de novo. São raras as vezes.”

Oliver olhou de cara feia. “Eu flerto com você o tempo todo.”

Ela riu. “Ollie, você não conta!” Ela rolou os olhos.

“O que você quer dizer com isso?” ele perguntou, ignorando a pontada de dor causada pelas palavras dela.

“Bem, Oliver, eu quero dizer alguém flertando comigo que esteja realmente, sabe, interessado em mim.”

“Eu estou interessado em você.”

“Como em alguém pra se ter um encontro, Oliver.”

Ele manteve a boca dele fechada, lutando contra o reflexo de dizer que ele estava interessado nela como em alguém pra se ter um encontro. Ele não estava. Estava?

Chloe considerou seu silêncio como um consentimento. “Mmhmm”

“Bem, não é como se você fosse conhecer um cara decente num lugar como esse,” ele disse, desviando a atenção dela.

“Você está aqui,” ela lembrou, o lábio contraído.

“Exatamente.”

Ela riu. “Nem mesmo estou procurando por um marido, Oliver. Um pouco de atenção aqui e ali, no entanto...” ela começou.

Oliver pegou um drinque da bandeja do garçom quando ele passou pela mesa deles.

“Ei, pensei que você tinha dito que só mais uma,” Chloe disse, as sobrancelhas erguidas.

“Sim, bem, isso foi antes de você dizer que meu flerte não conta pra nada. Agora eu estou bebendo por causa da insegurança.” Era de fato parcialmente verdade, não que ele fosse admitir isso pra si mesmo.

Chloe apenas rolou os olhos. “Esta é a última, Oliver. Depois vamos embora daqui.”

O problema era que Oliver estava começando a pensar que talvez ir e estar totalmente a sós com ela era uma má idéia. Pior que ficar. Quanto mais tempo ele e Chloe ficavam sentados juntos, mais tempo ele tinha pra apreciar quão acentuado era o decote do vestido dela, a pele macia das costas nuas, o formato das pernas quando ela as mexia, claramente impaciente pra sair dali. Ele engoliu seco. Idéias inapropriadas estavam tomando formas mais e mais definidas em sua mente.
Não, definitivamente ele ainda não estava bêbado o bastante. Mas uma promessa era uma promessa, ele se lembrou. Ela estava deixando ele se safar com o segundo drinque, ele não abusaria da sua sorte. Muito.
A próxima coisa que sabia era que de alguma forma ele tinha
convencido Chloe a dançar com ele antes de ir embora. Ele arrastou a figura relutante dela pela mão até a pista de dança, entre todos os outros casais. Ele a puxou mais pra perto, a mão feliz com a desculpa pra sentir a pele exposta das costas dela. Ela não o olhava nos olhos enquanto dançavam, os olhos olhando pra todos os cantos menos pra ele. A iluminação tornava difícil dizer, mas ele suspeitava de que ela estava corando.
“Sem graça com alguma coisa?” ele perguntou em seu ouvido.

Ela suprimiu um arrepio. “Não.”

“Está agindo como se estivesse.”

“Desculpe se eu não estou acostumada a estar tão próxima assim do meu chefe,” ela disse. Ele podia ver que ela estava usando o sarcasmo pra esconder o quão desconfortável estava.

“Você percebe que éramos amigos antes de você começar a trabalhar pra mim?”

“Bem, sim, mas...”

“Então não existe uma boa razão pra se sentir desconfortável com isso.”

“Ollie, não era como se a gente fosse tão próximo assim, sabe.”

Oliver pensou em discutir, Ela sabia simplesmente tudo que tinha pra saber sobre ele. Ela sabia de suas maiores virtudes bem como dos seus mais profundos pecados. Ela era aquela que o salvara de si mesmo quando a vida dele afundava numa espiral descendente de auto-destruição. Mas só então ele percebeu: ela sabia tudo sobre ele, mas ele não sabia nada sobre ela. Não de verdade. Ele sabia alguns fatos básicos, mas no geral, ela era um completo mistério pra ele.

“Vamos,” ele disse finalmente. Ela olhou pra ele, surpresa.

“E eu aqui pensando que precisaria de muito mais persuasão do que isso.”

Ele a ignorou, guiando-a pra porta com a mão ainda nas costas
dela.

“Como você chegou aqui?” ele perguntou quando estavam do lado de fora.

“Táxi.”

“Ótimo, vamos no meu carro.”

“Está bem, mas eu dirijo,” ela disse, pegando as chaves da mão dele assim que ele as tirou do bolso.

Ele deu uma risada, seguindo-a até o carro. Ele apressou o passo e ficou atrás dela, prendendo-a entre ele e o carro. “Acha que eu não agüento lidar com o volante agora?”

Chloe fechou os olhos. “Eu não acho que você agüenta lidar com praticamente tudo agora,” ela retrucou, fria.

Oliver suspirou e depois de uma pausa se afastou dela e do carro e sentou no banco do passageiro. “Sabe, você fica muito sexy quando fica nervosa assim.”

“Quem disse que eu estava nervosa?” ela perguntou.

Oliver deu uma risada curta. “Certo. De verdade, é bem atraente.” Ele a olhou de cima a baixo.

“Uau, parece que aquele segundo drinque foi demais.”

Oliver riu, sacudindo a cabeça pra ela. “O que quer que você diga.”

De volta na casa dele, Chloe começou a se sentir distintamente nervosa, por mais que quisesse esconder isso. Ela não tinha idéia de pra onde aquilo tudo estava indo. A primeira coisa que Oliver fez foi ir em direção ao seu bar pessoal. Ela rapidamente ficou entre ele e a bebida. “De jeito nenhum. Você espera que eu fique então não vai ficar mais embriagado do que já está.”

“Você é tão estraga- prazeres,” ele disse. Mas aí ele deu de ombros e foi pro sofá. “Você é a chefe.”

Ela pensou em lembrá-lo que ele era o chefe, mas de algum modo ela não queria. Ele se sentou no sofá e ela foi sentar na poltrona ao lado, mas Oliver segurou o braço dela e a puxou de volta. “Você é impossível,” ele disse sem explicação, puxando-a para o lado dele.

Ela pensou em sair, seria bem feito pra ele, mas não o fez. Ao invés disso, ela chutou os saltos pra longe e enfiou os pés debaixo dela.

“Pé gelado?” ele perguntou.

“Muito,” ela concordou.

“Aqui,” ele disse, levantando-a para movê-la um pouco e puxando as pernas dela até que seus pés estivessem no colo dele.Ele começou a massageá-los pra ela. Chloe soltou um gemido involuntário, seus olhos praticamente revirando ao toque das mãos dele, cheias de calos, gastas pelo arco e flecha. Ele sorriu maliciosamente. Quando que ela se tornou tão sexy? “Então,” ele disse, se recompondo enquanto continuava a mexer nos pés dela, “Chloe Sullivan, que diz que não somos bons amigos, me fale de você.”

Ela abriu um olho pra olhar pra ele, incerta de que ele estava falando sério. Aparentemente, ele estava. “O que você quer saber?”

Ele pensou por um instante. “Qual é a sua cor favorita?”

“Ela muda.”

“Mais frequentemente?”

Ela pensou. “Verde. E não,” ela viu as palavras se formando na boca dele, “não tem nada a ver com você.”

“Sei,” ele sorriu. “Banda favorita?”

“The Who.”

“Ambição de infância.”

“Ser uma jornalista.” Dãã.

“Certo, eu sabia dessa.” Ele riu. “Maior segredo?”

Ela olhou pra ele, uma expressão de choque em seu rosto. “Não vou te contar isso!”

“Bem, agora eu apenas preciso saber por que aparentemente é bem interessante. Vamos lá. Você sabe todos os meus segredos.”

“Verdade,” ela disse, ponderando sobre isso por um momento. Daí finalmente, “Minha mãe foi internada. Os médicos me alertaram que a condição dela pode ser hereditária.” Ela estava fazendo aquilo de novo, aquela coisa de olhar pra todos os lugares menos pra ele. A compaixão tocou o coração dele. Ele não sabia nada sobre a família dela, ou a falta dela, pensando melhor, Ele pegou a mão dela.
“Ei,” ele disse. “Você vai ficar bem.”

Ela zombou. “Como se você soubesse.”

“Eu sei,” ele disse determinado. “Porque se alguém tão capaz como você não pode lidar com tudo isso, ninguém pode.” Ele apertou a mão dela antes de soltar e voltar pros pés dela, que lentamente se aqueciam.

“Próxima pergunta,” ela disse finalmente.

“Quer me perguntar uma?” ele ofereceu, pensando que era apenas justo.

“Tem alguma coisa que eu não sei que você quer me contar?”

Que tal o fato de que fico pensando que você não está usando um sutiã agora? Oliver tirou o pensamento da cabeça. “Não, acho que não.”

“Então...” ela o incitou.

“Vejamos. Pior experiência com um cara. Antes de me conhecer,” ele acrescentou, cortando-a. Ele gostou da diversão que dançava por trás dos olhos dela pelo comentário.

“Há tantos.”

“Diga só alguns, então.”

“Antes de eu conhecer você... Bem, eu namorei um cara por quase
48 horas antes de descobrir que ele tinha habilidades com telecinese. 72 horas antes de eu descobrir que ele as usava pra matar pessoas.”

Oliver a encarou. “Espera, tem experiências pra competir com essa?”

Ela riu levemente, concordando. “Tinha um jogador de futebol arrogante que eu não estava muito interessada que tentou absorver todo calor do meu corpo e me congelar até a morte. Tinha o cara que podia se dividir em duas pessoas que namorou eu e minha amiga ao mesmo tempo antes de tentar jogar nós duas de uma ponte. Tinha o estudante de intercâmbio russo perturbado que tinha a habilidade de controlar as pessoas ao redor como fantoches. Ele em certo momento, até me fez de refém, depois de me forçar a beijá-lo, é claro. Essa foi divertida. Aí tinha o fotógrafo do anuário que tentou me prender no ensino médio pra sempre sob a ameaça de me transformar numa escultura humana estranha. E é claro, o cara que matou o próprio pai, a pedido do próprio, quando o pai dele se descobriu infectado pelos meteoros. Daí ele tentou destruir Smallville com uma arma nuclear, e adivinha quem era a única que ele queria salvar? Porque eu seria a jornalista que contaria a história pro mundo, é claro. Ah, e na segunda série um garoto tentou me beijar e eu joguei terra na cara dele e fui mandada pra casa da escola.” Ela riu.

Oliver ficou boquiaberto. “Sua vida é...”

“uma confusão. Eu sei.”

“Bizarra. Como é possível você ser tão normal?”

“Normal? Oliver, eu atualmente me sustento trabalhando como babá de uma liga de superheróis.”

“Bem lembrado.” Ele olhou pra ela. “Jesus, não é de se imaginar porque você era afim do Clark. Parece que você atrai loucos homicidas. Você precisa de proteção constante.” Ele pensou em Davis e depois maravilhou-se com o fato de que ela estava viva. Talvez fosse algum tipo de milagre ela ter sido tão próxima de Clark enquanto crescia. De outra forma, ela talvez não tivesse sobrevivido. Chloe suspirou. Era verdade.

“É muito piegas se eu disser que eu fico feliz que tenha sobrevivido a tudo isso porque sou realmente feliz por ter te conhecido?”

“Extremamente piegas,” ela concordou, corando mesmo assim.

Ele a observou por um instante. Ela realmente era incrivelmente bonita. Não só isso, ela era maravilhosa, inteligente, sarcástica, controladora, teimosa, intrometida, atenciosa, leal e sendo bem direto, sexy. Se ele fosse sincero consigo mesmo, ele tinha notado tudo isso bem antes daquela noite. Agora ele só estava aceitando isso.

“Chloe,” ele disse lentamente.

Ela olhou pra ele com os olhos afiados. “Não, Oliver.” Ela tirou o pé do colo dele e se sentou.

Ele a ignorou. “Você vai me dizer sinceramente que--”

“Oliver, estou te implorando. Não.” Ela começou a se levantar, mas ele a parou.

“Chloe, eu acho que a gente vem tentando ignorar isso há um bom tempo...”

“Oliver...”

“E estamos fazendo um trabalho horrível...”

“É uma má idéia...”

“Porque nós dois sabemos o que queremos...”

“E nenhum de nós estará satisfeito até aceitarmos isso...”

Ela arfou quando ele a trouxe pra perto dele, os lábios dele parando a apenas uma respiração dos dela.

“Diga-me pra não fazer isso.”

“Ollie, eu...”

“Se você disser não, eu paro. Esqueceremos que aconteceu.”

“Por favor...”

“Por favor o que?”

Ela tentou dizer. Ela realmente tentou, mas ele estava tão perto, tão intoxicante. Ela não conseguia pensar direito com ele a pressionava contra seu peito daquele jeito. Ela podia sentir o coração dele bater e a respiração dele e ela podia sentir o cheiro do seu perfume e ele era tão quente. Ela não conseguia dizer a maldita palavra.

E então ele a beijou, movendo seus lábios contra os dela de forma persuasiva até que ela cedesse, derretendo contra ele. O aperto na cintura dela apenas ficava mais possessivo, ele amando a sensação dela contra ele. Ele a puxou ainda mais pra ele, encostando-se no sofá de forma que ela tinha que inclinar a cabeça pra baixo, ajoelhada entre as coxas dele. Lentamente, ele a persuadiu a abrir a boca pra ele, deslizando a língua para duelar com a dela. As mãos delas foram do peito para o rosto dele, segurando-o perto dela. E então ela se afastou.

“Oliver,” ela respirou fundo. “Isso foi uma péssima idéia.”

“Pelo contrário,” ele disse, puxando-a pra perto dele de novo. “Acho que é de longe a melhor decisão que tomei.”

“Não significa que não é uma má idéia,”
ela sussurrou antes de se render novamente. Não havia como lutar com aquilo. Ele estava certo. Eles sabiam o que queriam, e nenhum deles estaria satisfeito até conseguir. Ao sentir a excitação dele pressionada contra sua coxa e a própria umidade, ela sabia exatamente o que queria, e era mais do que apenas o óbvio.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

No More Hiding, tradução.

Fic pós Absolute Justice, da Tarafina. É como se fosse uma continuação do jantar que o Oliver, a Chloe e o John Jones foram ;D


Durante o jantar, eles riram e o mundo não pareceu mais tão pesado. A comida e o vinho estavam ótimos e a amizade floresceu fortemente entre os três. Mas foi ficando tarde, e era hora deles se separarem. Eles acenaram despedindo-se de John antes que ele desaparecesse de vista, não era necessário um taxi quando se tinha a habilidade de voar sempre que quisesse. Caminhando pela calçada vazia ao lado dele, Chloe ainda estava sorrindo, suas mãos nos bolsos da calça;

“Esta noite foi divertida,” ele disse, olhando pra ela.

Erguendo o rosto, ela olhou em seus olhos. “Sim...” Ela franziu a sobrancelha. “Já fazia um tempo que eu não fazia isso.”

Ele arqueou uma sobrancelha “Se divertia ou saia pra jantar com uns heróis conhecidos?”

Ela riu. “Os dois, na verdade.”

“Então o que te fez dizer sim hoje?” ele quis saber.

Ela franziu as sobrancelhas novamente, olhando pra ele curiosa.

Com um suspiro, ele arregalou os olhos pra mostrar mais seriedade. “Eu sou a última pessoa a poder acusar alguém, mas eu não posso ser o único a ter notado sua ligação com a torre ultimamente...”

Passando a língua pelos lábios, ela olhou pra longe. “Estou ouvindo muito isso ultimamente.”

“Estamos preocupados.”

“Você estava certo antes,” ela murmurou, olhando pra ele de cara feia. “Você é a última pessoa a poder acusar alguém.” Ela acelerou o passo, colocando distância entre eles, mas as pernas longas dele acabaram com ela facilmente.

“Chloe...” Tentando alcançá-la, ele tocou seu ombro, pedindo pra que ela fosse mais devagar, pra parar de evitar o óbvio. “Falei com o Gavião Negro mais cedo...”

“Enquanto se divertiam às custas um do outro?”

Ele sorriu. “Sim...” Ficando mais sério, ele acrescentou, “Para um cara que vem fugindo de seus demônios por mais tempo do que eu estou vivo, ele tinha uma enorme percepção de umas coisas sobre mim.”

“E que percepção era essa?”

“Que estou me escondendo...,” Ele admitiu simplesmente. “De todo mundo com quem me importo... Porque eu não quero que saibam que eu me importo.”

Sobrancelhas franzidas, ela sacudiu a cabeça. “Por quê?”

“Porque você passa todo seu tempo cuidando de nós ao invés de estar com a gente? Porque é mais fácil não se importar do que admitir que existe uma conexão com alguém...” Sacudindo a cabeça, ele continuou. “O Gavião Negro tinha uma esposa; uma mulher que ele amava desesperadamente. Alguém que o fazia pensar na vida como apenas um momento, um momento que ele não temia o fim porque isso significaria estar com ela de novo...”

Quieta, ela simplesmente esperou ele continuar.

“Eu nunca tive isso... Nem com a Tess ou a Lois.” Ele riu cinicamente. “Quando eu cheguei aqui, estava tão certo de que o amor verdadeiro simplesmente não existia. E eu o encontrei com a Lois, mas não era... certo. Então eu estraguei tudo e ela seguiu em frente e quando eu estava pronto, já era tarde demais.”

Chloe mordeu os lábios pra evitar uma discussão.

“O que estou dizendo é... o que eu tinha com ela... Eu sei que acabou e eu sei que era destinado a acabar… Mas isso só quer dizer que eu estou errado desde o começo.” Ele sorriu. “Se um cara como o Gavião Negro pode encontrar uma alma gêmea, então que diabos eu estou fazendo?

“Se salvando de uma vida com o coração partido?” ela murmurou, rolando os olhos.

Parando, ele apontou pra ela. “Tá vendo... é esse o motivo de eu e você estarmos na categoria dos que escondem...”

Chloe sequer se abalou “E se estou? Minha história amorosa fala razoavelmente alto por si mesma...”

“Mas ali você também estava escondendo, não estava?” Ele sacudiu a cabeça antes que ela o interrompesse. “Jimmy não sabia tudo sobre você, mesmo no fim... E você não podia contar tudo pra ele; talvez algumas coisas, mas não tudo... E Davis... Você estava com ele porque estava tentando salvar ele e Clark, mas ele ainda assim não te conhecia... Não a mulher que se faz de mãe pra um grupo de heróis ou aquela que foi infectada com pedras de meteoro e estava apavorada com a possibilidade de acabar em Belle Reeve... Ele não sabia sobre sua mãe ou seu passado com Lex ou qualquer outra coisa que você guarda só pra você... Porque isso não era destinado a ele. Isso era você de verdade, aquela que se esconde por trás da máscara de normalidade pra todos os outros. E mesmo Clark... Seu melhor amigo... Se ele conhecesse você, ele não teria te deixado e ele não pensaria até agora que você e ele estão na mesma página. Você é do tipo ‘justiça a qualquer custo’, Chloe, e ele é sempre o cara que ‘sempre tem outro jeito’...” Passando o língua pelos lábios, ele suspirou. “Então se a verdadeira você estivesse envolvida, se ela saísse da torre e ela fosse livre e honesta... talvez ela tivesse uma chance nisso tudo... nesse elusivo felizes para sempre.”

Com os lábios tremendo, ela não sabia se olhava pra ele ou virava-se enquanto seus olhos ainda queimavam de convicção. “Então é isso?” ela perguntou, sua voz um sussurro ríspido pela emoção. “Eu exponho minha alma, fico de braços abertos e o amor vem bater na minha porta?” ela zombou.

“Olha... eu não posso te dizer o que fazer ou quem ser... Mas eu posso te dizer que eu te conheço... a você real, que eu conheço há tanto tempo, ela tem muito mais a oferecer do que a que todos conhecem... Você está amargurada e com medo e você perdeu muita da sua esperança na humanidade... Mas ainda assim, você fica ao lado de um time de heróis durões que têm muito trabalho pela frente se quiserem algum dia ser metade da família que a Sociedade da Justiça era... Você é esperta e linda, mas tem total certeza que qualquer cara que você goste vai te trocar pela próxima Lois Lane ou Lana Lang ou outra qualquer... Então você ergue seus muros e você usa seu sarcasmo como arma. Mas eu gosto disso... Eu gosto que você me mantenha no meu lugar, como quando você me impressiona totalmente ou como quando você nunca se segura quando tem algo a dizer. Você me trata como um igual porque você é igual a mim e você não aceitaria qualquer outra forma...” Ele sorriu calorosamente. “Então você pode esconder se quiser, mas eu não vou mais fazer isso... e se você quiser se unir a mim nesse mundo sombrio onde você pode se machucar, emocionalmente e fisicamente, minha mão está estendida, parceira... A qualquer hora que você quiser, podemos trilhar esse caminho juntos...” Ele começou a se mover, caminhando pela calçada vazia novamente, com um meio sorriso ao pensar que a idiotice com que agia no passado era apenas isso. Era hora dele se abrir e deixar as pessoas que importavam saberem a verdade dele; que ele realmente se importava. E ele esperava, mais do que todo o resto, que a mulher atrás dele compreendesse isso primeiro.
Passaram-se segundos, talvez minutos, mas ele sentiu. A mão dela na dele, segurando e depois soltando. E ele sorriu, não disse uma palavra. Esse seria o começo – sem se esconder mais.