Mostrando postagens com marcador Dinah Lance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dinah Lance. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de março de 2013

I'm In Here 29/30


Titulo: I'm In Here
Autora: Roberta Clemente
Classificação: NC-17
Nota: Alguns pensamentos na narração são eventos ocorridos na quinta temporada e podem ter erros...perdão. Mas a história se passa pós Finale.
Resumo: Chloe e Oliver tem suas vidas acompanhadas de perto...muito perto
Prologo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28



                              



29/30



-Não – Lex continuou gritando, apertando sem parar o gatilho de sua arma vazia. E em um minuto se arrependeu do que tinha acabado de fazer. Queria se vingar, descontar sua raiva e Oliver estava no chão morto, estava acabado. Ele rosnou e jogou a pistola nas costas de Oliver, que continua imóvel. – Seu desgraçado. Você tirou tudo de mim.Até a satisfação de te ver morrer lentamente - ele levou as mãos a cabeça, sem saber o que fazer. -Não, não, não.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

I'm In Here 28/30





Titulo: I'm In Here
Autora: Roberta Clemente
Classificação: NC-17
Nota: Alguns pensamentos na narração são eventos ocorridos na quinta temporada e podem ter erros...perdão. Mas a história se passa pós Finale.
Resumo: Chloe e Oliver tem suas vidas acompanhadas de perto...muito perto
Prologo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26



                              

28




Oliver pôde escutar o próprio coração batendo violentamente dentro do peito quando vislumbrou pela primeira vez o topo de algumas montanhas além do horizonte. O dia estava amanhecendo quando enxergou as árvores e amaldiçoou em silêncio essa e qualquer outra ilha existente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Anything For Their Watchtower

 

Ah, férias! posso traduzir fics de novo :P

Bom, tinha um tempo que eu vinha querendo traduzir uma fic assim, com toda a JLA, uma fic de comédia :D Já avisando para os que esperam uma fic cheia de momentos Chlollie: essa não é a fic que você procura, na verdade apenas uma parte tem os dois(mas a parte que tem compensa). Eu me arriscaria a dizer que eles não são os personagens centrais dela. Mas eu amei a interação da JLA e não consegui evitar ^^ Espero que gostem como eu gostei.

Boa leitura e comentem!

Título: Anything For Their Watchtower
Autora: Tarafina
Classificação: T
Gênero: Comédia/Romance
Casais: Chloe/Oliver, AC/Dinah, Clark/Lois, Victor/OC, Bart/3OC's
Resumo: Os irmãos da LJ estão apenas cuidando de Chloe e acabam tornando um banquete chato em algo muito interessante;

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Til Kingdom Come, (8/10)


Finalmente a continuação :D Eu não revisei o capítulo, então deve ter alguns errinhos. Boa leitura e por favor, comentem! ^^


Fic Original: Til Kingdom Come
Autoras: chloeas e dl_greenarrow
Classificação: M
Disclaimer: Os personagens pertencem a Warner e a DC Comics
Resumo: Baseada em Lazarus, futuro AU, envolvendo as consequências da troca que Chloe faz por Oliver.
Spoilers: Spoilers de Lazarus e Shield e especulações sobre a décima temporada em geral.

sábado, 13 de novembro de 2010

Til Kingdom Come (6/10)

 

Mais um antes do esperado. O sete deve demorar porque é simplesmente ENORME! ¬¬
Boa leitura :D 

Fic Original: Til Kingdom Come
Autoras: chloeas e dl_greenarrow
Classificação: M
Disclaimer: Os personagens pertencem a Warner e a DC Comics
Resumo: Baseada em Lazarus, futuro AU, envolvendo as consequências da troca que Chloe faz por Oliver.
Spoilers: Spoilers de Lazarus e Shield e especulações sobre a décima temporada em geral.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Til Kingdom Come (4/10)

Como prometido, depois do Chlollieween, a continuação :D
Boa leitura!

Fic Original: Til Kingdom Come
Autoras: chloeas e dl_greenarrow
Classificação: M
Disclaimer: Os personagens pertencem a Warner e a DC Comics
Resumo: Baseada em Lazarus, futuro AU, envolvendo as consequências da troca que Chloe faz por Oliver.
Spoilers: Spoilers de Lazarus e Shield e especulações sobre a décima temporada em geral.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Til Kingdom Come (3/10)

 

Demorou mais tempo que eu esperava pra postar a continuação. Infelizmente, as traduções estão num ritmo mais lento agora, a faculdade pra variar tomando conta do meu tempo. ¬¬’
Boa leitura e comentem :D

Fic Original: Til Kingdom Come
Autoras: chloeas e dl_greenarrow
Classificação: M
Disclaimer: Os personagens pertencem a Warner e a DC Comics
Resumo: Baseada em Lazarus, futuro AU, envolvendo as consequências da troca que Chloe faz por Oliver.
Spoilers: Spoilers de Lazarus e Shield e especulações sobre a décima temporada em geral.

domingo, 3 de outubro de 2010

Operation Outsmart Queen

 

Eu me diverti taaaaaanto lendo e traduzindo essa fic. Especialmente traduzindo, porque ai eu prestava atenção mesmo. :D Espero que gostem.

Nota de tradução: Austin Powers: International Man of Mystery é um filme americano de 1997, dirigido e estrelado por Mike Myers. É uma comédia em que o personagem principal é um espião britânico, parodiando os filmes anteriores de James Bond.

 

clip_image001

Banner de: Andrea
Título: Operation Outsmart Queen
Classificação: PG-13
Autora: Sxymami0909
Fandom: Smallville
Pairing: Oliver/Chloe
Prompt: “Chloe espia Oliver ” Dandiandi22

Era bem cedo naquela manhã e Chloe estava sentada em sua mesa com os braços cruzados enquanto recostava suas costas na cadeira, encarando a parte de trás da cabeça de seu namorado. Ele estava escondendo alguma coisa dela. Na última semana, ele havia agido de forma completamente estranha e Chloe estava oficialmente cansada disso.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Complicated, tradução

Uma oneshot no meio dessas multichapters incríveis que a Nathalia e a Silvia estão traduzindo. Esse particularmente me chamou a atenção porque mostra, ao contrário de Smallville, o Oliver tendo problemas com assumir a relação, não a Chloe. Tem o pessoal da liga também, um Clark bem mais simpático, mas já avisando que ao contrário de Extraordinarily Ordinary em que muitos até gostaram da Dinah, nessa provavelmente a única vontade que sentirão vai ser de matá-la, ou ao menos foi o que eu senti. ¬¬’
Boa leitura pra todo mundo e comentem depois :D

Complicated é de autoria do Quicksilver19

Complicated

“Porque você está gritando?” ela observou o loiro normalmente tranquilo se preparar pra outro discurso longo sobre como era uma má idéia contar pra Liga da Justiça, pro mundo, que eles estavam juntos. “Não é tão complicado assim. Pessoas já se envolveram em relacionamentos públicos antes.”

“Não é tão complicado assim? Chloe, eu sou Oliver Queen, presidente bilionário das Indústrias Queen. Minha vida é constantemente observada e analisada pela imprensa e pela competição. Eu também sou o Arqueiro Verde. Pessoas me querem morto, pessoas querem me machucar de qualquer forma que puderem através de todos os meios possíveis. Efeito colateral não é nada pra eles.

Ela balançou a cabeça, frustrada. “Você também é Oliver Queen, meu namorado. E eu sou Chloe Sullivan. Tenho pessoas que me querem morta também, que observam e analisam minha vida também. Você tem que aproveitar a vida com o que você tem, Oliver. Você me prometeu, Oliver. Você prometeu que seria capaz de lidar com isso! Eu te dei tempo pra ficar confortável com a idéia, mas você age como uma pessoa completamente diferente quando está perto dos outros. Você sabe como eu me sinto quando Dinah não tira as mãos de você e você não a afasta porque não pode já que todo mundo pensa que você é solteiro e então seria estranho? Porque ela é a gostosa com a meia arrastão e eu sou a parceira.” Ela estava quase chorando, o que a fazia ainda mais brava. Ela disse a si mesma que não deixaria isso a incomodar, que não era nada demais.

Ele suspirou. Sabia do que ela estava falando.

Chloe saiu do elevador e encontrou os garotos da Liga da Justiça nos sofás, pesquisando em papéis espalhados ao redor. Ela estava feliz. Oliver havia prometido uma curta noite de trabalho pra que depois eles pudessem ficar juntinhos e assistir um filme sem interrupção. Ela até mesmo sorriu pra Dinah quando ela saiu da cozinha.

Bart apareceu do lado dela. “Ei, Chloelicious. Precisa de ajuda com esses arquivos?”

“Obrigada, mas eu estou bem.” Ela olhou pra Oliver enquanto andava até a mesa pra se arrumar, os arquivos presos entre os braços. “Peguei aqueles arquivos que você queria. Fácil demais.”

Ele se permitiu sorrir pra ela. “Essa é minha garota. Podemos analisá-los mais tarde.”

“E eu, Ollie?” Dinah perguntou, sentando-se ao lado dele e passando a mão pelo seu braço até a bochecha e trazendo sua atenção pra si. “Eu não sou sua garota?”

Sua resposta foi interrompida por uma pilha de arquivos caindo na mesa.

Todos olharam pra uma Chloe que não se desculpou.

“Deve ter escorregado.”

Oliver pigarreou. “Vamos voltar ao trabalho.”

Dinah pegou um arquivo e se aproximou ainda mais de Oliver. “O que estamos procurando mesmo... chefe?”

Ele se inclinou na direção dos papéis, lendo algumas linhas. “Algo que sugira que a Luthorcorp está abrindo uma nova instalação em qualquer lugar do mundo. Atividades suspeitas ou equipamentos anormais.”

“O que é considerado anormal? Todo mundo tem seu próprio gosto quando se trata de equipamento.” Ela olhou pra ele através dos cílios fartos. “Eu deveria estar procurando algo grande?”

Clark parecia estar sofrendo falta de ar, Bart e A.C. tentaram esconder o riso, Victor revirou os olhos e Chloe fez uma careta zangada.

“Oliver? Os arquivos?”

Ele acenou pra ela, querendo resolver esse assunto com Dinah e terminar logo as coisas pra que eles ainda tivessem tempo de assistir o filme. “Num minuto, Torre de Vigilância. Veja, Dinah, uma grande quantidade de chumbo foi mandada pra instalação em Larchwood, Roma, o que quer dizer-” Ele retraiu-se quando outra pilha de arquivos caiu na mesa e fechou os olhos, o rosto congelado numa careta. Dessa vez o som foi seguido de um ríspido “Ótimo.” e do barulho do salto enquanto Chloe subia as escadas pro seu escritório particular.

Ele abriu os olhos e viu Clark indo até as escadas. Ele levantou-se e praticamente saltou o sofá pra chegar antes do fazendeiro. “Eu falo com ela, Clark. É minha culpa que ela está brava e você não precisa ser submetido às infinitas descrições sobre a minha estupidez, inutilidade, egocentricidade, etc e etc. Está ficando tarde, de qualquer forma. Deveríamos encerrar a noite.”

“Claro, chefe. Alguém quer ir comer uma pizza?” Bart perguntou, já indo em direção ao elevador.

AC concordou, olhando pra Victor que deu de ombros, também concordando. “Clark?”

“Talvez eu deva...” Clark olhou pras escadas.

Oliver deu mais alguns passos, movendo-se entre o alien e sua melhor amiga. “Realmente não é sua briga, Clark, mas obrigado pela oferta.”

“Ok.” Ele relutantemente seguiu os outros.

“Quer que eu passe aqui depois da patrulha com as atualizações?” Dinah perguntou com um sorriso.

“Não, eu provavelmente estarei na cama nessa hora.” Ele tinha esperanças disso, caso conseguisse acalmar Chloe.

O sorriso dela ficou ainda maior. “Eu não me importo.”

“Boa noite, Dinah.” Ele virou de costas pro grupo e começou a subir as escadas. Mas não rápido o bastante pra perder o sussurro de Bart pra AC momentos antes do elevador se fechar.

“Ela vai fazer pedacinhos dele.”

Quando ele abriu a porta, teve a impressão de que Bart não estava muito errado.

Ela estava definitivamente com raiva e definitivamente dele. Ela não virou, não reconheceu sua presença de qualquer forma. Ele esperou alguns segundos. Os únicos sons no escritório eram o tique-taque do relógio e o farfalhar raivoso dos papéis.

“Chlo?”

Mais farfalhar raivoso.

Ele deu alguns passos cautelosos, pronto pra abaixar e desviar se ela quisesse atirar alguma coisa. Então ele ouviu. Era fraco, tão baixo que ele não teria notado se o escritório não tivesse tão quieto. Uma fungada. Ele suspirou. A única coisa pior que uma Chloe raivosa era uma Chloe chateada chorando. Ele quase desejou que ela tivesse atirado alguma coisa. Era essa sua fraqueza, sua kryptonita. “Me desculpa,” ele disse baixinho. “De verdade, me desculpa.”

“Você fica tão ocupado em ter cuidado diante deles que nem me trata como um ser humano.” A voz dela estava cheia de lágrimas e isso quebrou seu coração.

“Chloe... Eu...” Mas não havia nada que ele pudesse dizer. “Eu sinto muito. Não tem desculpa pra isso, mas ainda assim eu sinto muito.” Ele foi até ela e se ajoelhou enquanto virava a cadeira pra que ela o olhasse. “Podemos recomeçar a noite? Estamos sozinhos, eu não tenho que patrulhar, tenho a cozinha cheia de besteiras... Podemos esquecer a Liga da Justiça essa noite e assistir aquele filme?”

Ela estava prendendo os arquivos contra o peito como um escudo, o rosto cheio de lágrimas. “Não, Oliver. Não podemos. Você age como um idiota e depois tenta jogar isso pra debaixo do tapete. Eu não posso deixar isso pra lá. Você é outra pessoa ao redor dos outros. Você está tentando ser tão legal e calmo ao redor deles que você pisa nos meus sentimentos. E você sabe que Dinah é obcecada quando se trata de você e não faz nada sobre isso. Então não, não posso recomeçar a noite.” Ela atirou os arquivos nele e saiu.

“Olha,” ele disse desesperadamente. “Eu só preciso de mais tempo. Pensar em você em perigo por causa de mim me assusta muito. Eu só não estou pronto.”

Ela balançou a cabeça. “Isso é besteira, Oliver. Porque todo mundo sempre usa essa desculpa? Eu vou estar em perigo de qualquer jeito, a gente estando juntos ou não. Provavelmente estarei mais segura com você. Isso é uma desculpa. Se isso é difícil demais pra você, se é demais, então talvez não deveríamos sequer estarmos juntos. Porque não acho que é muito justo comigo. Eu estou disposta a sacrificar coisas por você. Qualquer possibilidade de uma vida normal, não poder ficar com você o tempo todo, ter que dividir você com o resto do mundo, mas eu me recuso a me tornar um fantasma. Você não pode me manter, manter essa relação escondida e demonstrar as coisas sempre que sente que precisa de normalidade em sua vida. Simplesmente não é justo.”

Ele sentou ao lado dela, os cotovelos apoiados nos joelhos, deixando as mãos caírem debilmente. Ele estava sendo repreendido. Chloe Sullivan apontou exatamente o que havia de errado e estava fazendo pedacinhos dele por isso. E ele não tinha resposta. Porque ela estava certa. Ele estava sendo egoísta, mantendo-a em seu bolso enquanto ele fazia o que tinha que fazer e a tirando dele e tendo um relacionamento quando era conveniente pra ele, quando ele precisava de conforto humano. “Eu não... Eu não sei o que dizer.”

Ela acenou com a cabeça pesadamente. “É esse o problema. Eu quero acreditar em você quando você diz que vai dar certo, que vai ficar tudo bem. Eu tento, Oliver, estou tentando muito acreditar em você, mas não posso mais. Então eu simplesmente cansei. Não sei como isso pode dar certo.” Ela estava tremendo, tentando não chorar.

Ele se moveu pra abraçá-la, consolá-la, mas ela ergueu uma mão, a outra indo cobrir a boca pra suprimir um soluço.

“Se eu deixar, nunca vou ser capaz de superar isso.”

“Chloe, eu posso mudar,” ele disse desesperado. “Posso fazer isso. Podemos fazer isso. Posso ser melhor.”

“Você diz isso, mas eu não acredito mais em você. Eu venho esperando há oito meses pra você se acostumar com a idéia. Sempre dependeu de você e eu simplesmente não posso mais. Não estou mais bem com isso. Então acabou. Adeus, Oliver.” Ela pegou sua jaqueta.

Ele se levantou e observou silencioso e imóvel ela ir até o elevador, entrar nele e a porta se fechar. Apenas nesse momento ele se permitiu cair no sofá mais uma vez, a cabeça nas mãos e os ombros tremendo com os soluços. Ele sabia que teria sido inútil tentar impedi-la, convencê-la do contrário. Ela era teimosa, determinada, e havia se decidido. Ele lembrou-se do começo do relacionamento deles. Quando tudo era novidade e ele se sentia tão vulnerável quando ela olhava pra ele, tão exposto.

Ela assumiu integralmente seu posto quando Clark também o fez, três anos depois da Liga da Justiça ter completado aquela primeira missão na instalação em Ridge. Clark estava com plenos poderes, tendo completado seu treinamento e meio que estava com Lois, o que surpreendentemente não incomodava Oliver.

Aquele fatídico dia em que Chloe Sullivan voltou pra sua vida, mudou-a pra sempre. Ela já havia participado de algumas missões com eles como Torre de Vigilância, sempre cuidando deles, ajudando, hackeando, mas ele não a via desde o incidente com a Canário Negro.

Ele lembrava-se distintamente. Acordou naquela manhã, lavou o rosto e quando olhou no espelho, não mais reconhecia a pessoa que olhava de volta. Ele se sentia vazio, como se estivesse quebrado e não mais uma parte viável da raça humana. Ele ergueu escudos, muros pra manter os outros longe. Ainda era capaz de trabalhar e os outros pensavam que ele estava apenas mais sério, mas nada mais despertava seu interesse. Ele era o trabalho. Não o surpreendia, mas ele quase não sabia mais pelo que lutava. Era pela Justiça? E o que era alcançado? Valia à pena? Ele balançou a cabeça. ‘Lide com isso Queen’. E ele continuava seu dia normalmente. Fazendo as coisas sem nem acreditar no valor delas.

Mas aí ela saiu do elevador atrás de Clark. Ele não a viu inicialmente, Clark e todo seu tamanho a bloqueando até o último segundo. Ela lhe lançou um olhar e os escudos dele despedaçaram-se, os muros foram derrubados e ele não tinha idéia do que iria fazer. Ele a olhou chocado e chegou até a tropeçar em choque.

Clark estava ao lado dele em segundos. “Você está bem, Oliver?”

Ele concordou lentamente, olhando pra Chloe. Engolindo seco, tentou encontrar sua voz. Tudo que ele conseguiu foi “Chloe.”

“Bom ver que se lembra de mim, Sr. Queen.” Ela sorriu maliciosamente pra ele, como se ela soubesse. Como se ela sempre tivesse sabido. Como se ela soubesse de uma piada esse tempo todo e só agora contou pra ele o final.

Ele acenou com a cabeça. A voz dela era doce, mas parecia aço, cortando-o como se ele fosse um tecido. Nos últimos seis meses, eles apenas se comunicaram por email por que ela era uma das repórteres tops do Planeta Diário, e havia sido mandada ao Centro-Leste pra cobrir os últimos genocídios que andavam acontecendo. Apesar do caos, ela foi capaz de continuar trabalhando pra ele. Ela era incrível.

Clark se endireitou e foi cumprimentar os outros membros da equipe.

Ele nem mesmo notou o fato de Victor estar murmurando alguma coisa pra Clark sobre Oliver estar trabalhando sem parar e não estar sendo ele mesmo nos últimos tempos. Que talvez ele estivesse surtando? Ao invés disso, todo seu ser estava inteiramente focado em Chloe enquanto ela balançava a cabeça e seu sorriso mudava de largo pra compreensivo. Preocupação passou pelos olhos dela, mas ela não forçou. Ao invés disso, ela ergueu uma mão, uma pequena, clara mão e perguntou, “Se importa se eu me acomodar na sua mesa?” Ele concordou silenciosamente e ela passou por ele, o cheiro de citrus e baunilha o provocando por alguns momentos.

Mais tarde, enquanto ele a observava trabalhar, não conseguia entender como ele estava reagindo do jeito que estava. Ela era Chloe afinal de contas, Parceira, Torre de Vigilância. Nada estava diferente, mas ao mesmo tempo nada estava igual. Ela parecia a mesma: cabelos loiros na altura do ombro, agora lisos, olhos verdes penetrantes que encrespavam-se e brilhavam quando ela ria, o que era frequente, roupas estilosas e bem ajustadas mas que não eram muito reveladoras. Talvez fosse o jeito com que ela capturava seu olhar, mesmo no meio de uma conversa com Victor sobre novas habilidades como hacker, nunca perdendo nada da conversa, mas ainda mantendo o olhar nele. Ou talvez fosse como o olhar parecia – forte e confortante, de tirar o fôlego e sexy, como se ela pudesse ver através dele e não estivesse com medo do que estava dentro. Ele nunca sentiu esse tipo de olhar sobre si e atiçava algo dentro dele que ele pensou que havia desaparecido pra sempre.

A primeira vez que ele a tocou, eles estavam fazendo jantar. Bem, eles estavam transferindo a comida chinesa das caixas pras vasilhas. Eram três horas da manhã e o resto da Liga estava espalhada pelo apartamento, com energia baixa e quietos.

“Oliver, me passa o arroz com frango, por favor?”

Ele acenou. Não parecia ter conseguido recuperar sua fala ao redor dela mesmo pra palavras monossilábicas. Quando ele entregou pra ela, seus dedos roçaram e fogo pareceu subir pela sua mão, braço, até o seu peito onde ele ficou, enrolado, contente. Ele olhou pra ela, pra ver se ela tinha sentido isso também.

Ela lhe sorriu aquele sorriso novamente. “Oliver, precisamos conversar.”

“O-Ok.”

“Você está bem? Os garotos disseram que você está mais quieto e fechado.”

Ele concordou. “Mais trabalho, mais responsabilidade,” disse lentamente.

Ela soltou a caixa e se virou pra se apoiar no balcão de forma que pudesse olhá-lo nos olhos. “Não é isso que estou perguntando. Estou perguntando se você está bem.”

Aqueles olhos. Ele não podia mentir pra aqueles olhos. “Não. Não estou.”

“Ok.” Foi baixo, decisivo.

A primeira vez que ela o beijou, ele estava esperando por isso, mas foi totalmente surpreendente. Já havia se passado duas semanas desde que Chloe apareceu em sua porta, bom, na porta da Liga e todas as noites, ela ligava pra ele, o fazia conversar com ela. E tudo foi escapando de sua boca, e ele não podia evitar. Ela era como um soro da verdade e todos os pensamentos dele, suas preocupações, sua dor, seu medo foram indo embora e ela tinha todas as palavras certas e sabia quando ficar quieta. Era chocante, desconcertante e confortante ao mesmo tempo.

Daí ela apareceu no meio de uma conversa, ainda falando no celular enquanto se aproximava dele. Foi aí que ele realmente soube como era acreditar em alguém quando diziam aquelas três palavras.

“Tudo vai ficar bem. Estou aqui agora.”

“Estou aqui agora.”

E ela soltou o telefone, soltou a bolsa, se esticou, o puxou pela lapela da camisa e o beijou.

E ele finalmente se sentiu como se estivesse em casa. Ele não tinha mais nada, nem escudos, nem muros. Ele não podia afastá-la porque ela sabia de tudo e havia aceitado tudo.

Quando ele pediu pra ela ficar naquela noite, ela deu aquele sorriso largo e perguntou se parecia tão fácil assim.

Ele riu. Pela primeira vez em muito tempo.

Ele fechou os olhos com força para a deliciosa dor que a lembrança trazia, tentando agarrar-se a ela, saboreá-la. Eles tinham sido tão inocentes, tão confiantes de que tudo ia dar certo. Mas aí isso mudou. Ele mudou isso. Ele ergueu aqueles muros novamente, mas dessa vez Chloe estava presa do lado de dentro, mantida perfeita e congelada, exatamente como ele queria. Mas ela murchou sem o sol e o relacionamento também.

A dor que ele sentia não se comparava a nada que havia sentido antes. Nenhuma ferida cortou tão profundamente e essa era uma que ele achava que não iria curar.

E a pior parte? Ele não tinha idéia do que fazer em relação a isso. Ele simplesmente se fechava, cobria a feria e desejava que curasse, tentava esquecer isso, sabendo perfeitamente bem que não curaria, que iria continuar sendo uma ferida aberta que ele carregaria pro resto da vida? Antes de Chloe era o que ele teria feito, ele não podia ignorar mais isso, não podia fingir que era tão ignorante assim. Mas ele teria que carregar isso por um tempo. Carregar como uma penitência, até que soubesse como poderia consertar isso.

Então, ele foi até Lois. Bom, ele planejou ir até Lois. Levou duas semanas pra ele tomar coragem.

“Ollie, ela está magoada. Esquecer você não é fácil.” Ela se inclinava sobre sua mesa, o encarando.

Ele se sentia como se estivesse mais uma vez na sala do diretor da escola e no meio de uma encrenca. Uma grande encrenca. “Lois, não estou perguntando como ela está. Estou perguntando como posso consertar.”

Ela o olhou fixamente. “Você quer? Quero dizer, realmente quer. Porque você não pode simplesmente fazer isso com ela. Estou surpresa por ela sequer ter me contado. Ela não teria feito isso se eu não tivesse a encontrado encolhida como uma bola, morrendo de chorar depois de ter ligado pro trabalho pelo sétimo dia seguido dizendo estar doente. Eu estava com raiva, Ollie, com tanta raiva. Você é idiota? Quero dizer, Chloe? Ela é delicada. Ela passou por tanta coisa e você joga mais isso em cima dela. E não apenas joga isso em cima dela, mas a faz viver em segredo. Não é de se imaginar porque ela chutou seu traseiro.” Ela se recostou novamente na cadeira, analisando a aparência descuidada dele com o que parecia um quê de satisfação. “Estou pensando em juntá-la com o Jimmy novamente.”

O maxilar dele travou. Ela só estava tentando irritá-lo. “Não vou desistir dela, Lois. Eu a amo.”

“Já disse isso alguma vez pra ela?”

Ele se forçou a olhá-la nos olhos. Era muito pessoal, mas Lois era a família de Chloe e quando se tratava de família, todas as regras saiam voando pela janela. “Não. Mas não posso agora.”

“Não. Sinceramente, eu não tenho idéia do que você pode fazer. Ela parecia bem determinada a te cortar da vida dela. Sabe como é, maus hábitos e tudo mais...”

“E eu? Estou infeliz sem ela.”

“Buá buá. Você teve sua chance.”

“Mas eu a amo.”

Ela deu de ombros. “E daí? Eu também.”

“Eu posso fazê-la feliz. Sei que posso.”

Ela se inclinou pra frente novamente, mais séria agora. “Eu. Não. Posso. Te. Ajudar. Eu não a quero com você porque você vai magoá-la de novo. Não há como você fazê-la feliz porque você tem medo demais de amá-la completa e livremente porque você ainda não sabe lidar direito com sua dupla identidade. Ela ama você, Ollie, mas amor não é o bastante. Nunca é o bastante.”

O rosto de Clark estava violento, mas demonstrando controle. “Estou me esforçando muito pra não te matar agora, quero que entenda isso. A única razão pra não fazer isso é porque você é meu amigo também e eu sinceramente acredito que você a ama. Eu sei o que você está passando, Ollie, eu sei. Lana e eu dançamos essa dança vezes demais. Talvez seja melhor você desistir?”

Oliver fez uma careta, sentindo-se mais determinado do que nunca. “Não é a mesma coisa, Clark. Chloe sabe do meu segredo praticamente desde o começo. Ela aceitava isso e não fugiu. Eu a amo e eu sei que ela me ama. Eu só estraguei tudo e tenho que descobrir como consertar isso.”

A morena alta deu de ombros. “Eu não sei o que dizer. Queria poder te ajudar, mas ela nem fala comigo sobre isso. Ela está realmente magoada, Oliver. Talvez dê algum tempo?”

“Quanto tempo? Isso está me matando.”

“Talvez deva ser assim. Talvez agora você aprenda. Ela precisa de tempo.”

Ele deu seis meses a ela. Era agonia. Ele continuava a cuidar dela, um anjo verde guardião mantendo-se às sombras, mas mantendo-a em segurança. E quando ele não estava na cidade, ele fazia um dos outros cuidar dela. Ele contou pra liga inteira, especialmente para o desapontamento de Dinah, e todos eles aceitaram, mesmo um pouco hesitantes de que daria mesmo certo. Chloe, afinal de contas, havia desaparecido da vida de Oliver e não dava nenhuma indicação de que queria voltar.

Ela havia começado as aulas na MetU novamente, tentando formar-se em jornalismo. Ela acomodou-se numa vida normal, ou tão normal quanto podia ter e pareceu florescer. Mas ela se encontrava olhando pela janela várias noites, imaginando o que Clark e os outros estavam fazendo. Ela sentia falta da agitação. Mas ela se forçava a não pensar em Oliver. Era doloroso demais.

E então ela encontrou com ele e tudo mudou novamente.

Foi bem idiota, na verdade. Ela não devia ter pegado aquele atalho pelo beco do Planeta Diário ao estacionamento e seu carro, mas estava frio e ela estava cansada e realmente não pensando direito.

O assaltante pegou a bolsa dela e porque ela não estava prestando atenção, a mão dela permaneceu nas alças. Ele a girou contra a parede numa tentativa de pegar a bolsa.

Ela gritou quando caiu no chão.

Em seguida houve um grito de dor quando o pulso do assaltante quebrou e ele foi atirado contra a parede e uma sombra a cobriu.

Ele a ofereceu a mão pra ajudá-la a se levantar e ela aceitou, sem palavras. Ele lhe entregou a bolsa, olhou nos olhos dela e se virou pra ir.

“Espera.” Ela nem sequer percebeu que estava dizendo as palavras até que elas saíram de sua boca. “Espera.”

“Vou te acompanhar até o carro.” A voz dele estava rude, irreconhecível com o distorcedor de voz.

Ela seguiu, pensamentos e sentimentos girando dentro dela como um redemoinho e ela estava com medo. Ela sabia que ele estava de olho nela esse tempo todo. Ele havia mudado? Ele poderia mudar? Alguém realmente mudava?

E aí eles estavam lá.

Ele esperou silenciosamente enquanto ela procurava as chaves atrapalhadamente, deixando-as cair e as pegando novamente.

Quando ela abriu a boca pra agradecê-lo, ele rapidamente a cortou. “Eu vou embora. Não sei quando ou se eu vou voltar.” Ele não sabia.

“Ok” Era isso que ela queria, não era? Então porque machucava tanto?

“Apenas precisava que você soubesse disso. E que eu te amo e que isso não vai mudar.”

Ela congelou, se amaldiçoou quando derrubou as chaves de novo. Ela se abaixou pra pegar e quando levantou, ele havia ido.

Ele entrou no elevador e se apoiou na parede, exausto. Oito instalações da Luthorcorp em seis meses tinham sido difíceis mesmo com a ajuda do Homem de Aço. Um ponto brilhante no meio da escuridão de Lex foi a descoberta de Diana Prince no laboratório da Costa do Ouro.

Ela era incrível, quase como Clark – forte, poderosa, com senso de moralidade e verdade, tranquila, calma e sangue frio. Ela era um excelente acréscimo a LJA. Como a liga se expandia, Oliver pensava globalmente – montar ligas no mundo inteiro pra combater o mal crescente.

Mas ele estava se precipitando. Agora tudo que ele queria era cair na cama e dormir tantas horas quanto possível. E, por mais que ele desejasse muito contrário, pediu um sono sem sonhos porque, aparentemente, o tempo não cura todas as feridas. Já havia se passado seis meses desde que tinha visto Chloe e ele ainda sonhava com ela toda noite – a pele macia e sedosa dela, os olhos verdes brilhantes, os lábios maravilhosos e o sorriso, o corpo perfeito dela o prendendo...

Ele suspirou. Tanto esforço pra isso... talvez um banho gelado e depois cama.

A porta se abriu e ele deslizou pra fora do elevador, os olhos passeando pela sala. Parecia uma versão distorcida de Cachinhos Dourados – coisas espalhadas como se alguém tivesse e... espera...não tivesse ido. Ali. Os cachos loiros despenteados da Cachinhos Dourados saindo debaixo de um cobertor no sofá.

Ele chegou mais perto, sem fazer barulho, esperando, desejando.

Por fim ele ficou ao lado dela. Ela parecia tão perfeita, como na primeira vez que ele a viu no celeiro de Clark – imaculada, ilesa das feridas que ele a causou.

O sexto sentido dela despertou e ela começou a se mexer.

“Você não devia estar na minha cama?”

Os olhos dela abriram, desorientados por causa do sono e depois focaram-se nele. “Como disse?”

“Quando os três ursos foram pra casa, eles encontraram a Cachinhos Dourados na cama deles, não desmaiada no sofá.” Ele cruzou os braços pra causar efeito, tentando dar leveza ao clima.

Ela ergueu a cabeça desafiadoramente. “Não é essa a história.”

“Qual é a história então?”

Ela sacudiu a cabeça. “Não é história alguma. Ninguém nunca descreveu isso antes... Garota ama garoto, garoto namora o primo da garota, garoto na verdade é um super-herói e parte o coração da prima da garota porque não pode confiar seu segredo a ela, garoto desaparece, garoto volta querendo ajuda da garota, se apaixona novamente pela prima da garota, garota trabalha, arranja outra garota que se atira em cima do garoto, garoto parte o coração da prima da garota, desaparece de novo, o melhor amigo da garota encontra seu potencial completo de super-herói, os dois se juntam a liga da justiça do garoto, garoto finalmente se apaixona pela garota mas não sabe lidar com isso, estraga tudo, garoto vai embora como sempre faz quando as coisas ficam difíceis-”

“Garota sente falta do garoto, passa a noite no sofá do apartamento do garoto até ele voltar pra casa, repreende o garoto, garoto beija a garota. Eles vivem felizes pra sempre.” Ele sorriu fracamente.

Ela o encarou, olhos cheios de esperança tingidos com um pouco de hesitação. “Vivem? Felizes pra sempre?”

Ele deu de ombros. “Eles poderiam. Mas eu não sei. É só uma história.”

Quando ela respondeu, a voz dela era tão fraca, que ele quase não a ouviu. “Eu gostaria que eles vivessem.”

Ele sentou perto dela e deslizou um braço ao seu redor enquanto ela se aninhava nele. “Eu também.”

terça-feira, 1 de junho de 2010

Extraordinarily Ordinary, Capítulo 10

anterior

-10-

“Cara, acho que estão a mudando de lugar.”

“O que?” Oliver perguntou a Victor pelo comunicador. Eles tinham se infiltrado com sucesso no prédio sem alertar ninguém – ou menos era o que esperavam.

“O sinal do GPS dela está se movendo.”

“Isso não faz sentido,” AC argumentou. “Porque eles a tirariam de lá?”

“Eu não sei, mas ela não está mais naquela sala. E há apenas um instante um dos dois traços de calor que estavam com ela saiu de lá.”

“Que?” Oliver perguntou.

“Bem, pra onde eles estão a levando?” Dinah interrompeu.

“Eu – espera – eu não tenho certeza se estão mesmo. Ela está se movendo rápido o bastante pra estar correndo agora, e eu não acho que ela está com alguém.”

“O que você quer dizer com ela não está com ninguém?” Oliver exigiu saber.

“Acho que ela está escapando!” Victor disse animadamente.

“Essa é a Mamacita que eu conheço!” Bart disse alegremente.

“Arqueiro, ela está indo pro corredor sul. Tire-a de lá. Cuidaremos de qualquer segurança que aparecer em seu caminho.”

“Você acha que ela irá com você?” Bart perguntou

Tudo em Oliver queria gritar que sim, mas a verdade era que ele não tinha certeza.

“Ela irá,” Dinah respondeu calmamente. “Ela confia nele.”

Oliver gostaria de ter visto a expressão no rosto da Canário pra tentar entender o que diabos a fazia ter tanta certeza disso, mas não perguntou nada. “Estou indo até ela. Lembrem-se, entramos, pegamos a Torre de Vigilância, saímos. Isso não é uma missão de reconhecimento ou algum tipo de derrubada. Não sabemos nem o mínimo suficiente sobre esses caras pra fazer qualquer outra coisa que não tirá-la daqui.”

“Ei, relaxa, amigo. Nós sabemos,” Bart disse com um sorriso, derrubando um segurança antes que o mesmo pudesse ver o que estava por vir.

Chloe parou na esquina do corredor. O peito dela subia e descia pesadamente enquanto ela respirava sofregamente, a cabeça pulsando, e seu coração disparado dentro do peito como se tentasse escapar de suas costelas.

Ótimo plano, Chloe, ela pensou irritada consigo mesma enquanto comprava algum tempo. Certo, você acabou com os valentões idiotas, mas você pensou em onde você estava ou em como você conseguiria sair desse maldito... LABIRINTO?

Ela xingou baixinho enquanto se preparava pra virar a esquina do corredor, onde sem dúvida haveria mais seguranças.

Quando ela foi deixada apenas com um segurança naquela sala, ela tirou vantage da confusão dele e chutou a arma pra longe da mão dele, em seguida passou por ele correndo antes que ele pudesse prever o que aconteceria. Derrotar os três do lado de fora da porta tinha sido bem mais difícil, mas felizmente, ela teve o bom senso de levar a arma do seu primeiro captor. Aqueles três foram rapidamente seguidos pelo cara que foi pegar a água, e ela também lidou com ele rapidamente, mas isso a desgatou mais do que ela queria admitir. Ela não tinha certeza se podia aguentar mais.

Ah, cala a boca, sua molenga, ela ordenou a si mesma. Pense como Lois. O que ela faria agora? Provavelmente citaria o General, reclamaria sobre não estar usando roupas íntimas apropriadas pro caso de sequestro, e aí daria umas porradas e obteria alguns nomes.

“Certo,” ela disse em voz baixa. “Pulando pra última parte já.”

Ela passou pela esquina, preparada pra derrubar qualquer um que cruzasse seu caminho.

... menos ele.

Oliver quase não conseguia conter seu alívio quando ela colidiu com ele. Chloe quase gritou, surpresa.

Ele segurou seus ombros. “Relaxa, sou –”

Mas ela lançou os braços ao redor dele, o abraçando como se não visse outro humano há anos. “Ah, graças a Deus. Oliver!”

Oliver começou. “Você se lem—”

Ela balançou a cabeça. “Não. Descobri.”

“Ei, você a encontrou?” Vic perguntou no comunicador, claramente tendo visto os sinais deles colidirem um com o outro.”

“Sim, ela está comigo.”

“Isso é o que eu gosto de ouvir,” Bart regozijou-se.

“Vamos sair logo daqui,” AC respondeu.

“Isso mesmo,” Oliver disse. Ele olhou pra Chloe, que tinha enterrado o rosto no peito dele.

“Quando eu sair daqui, vou fazer uma fronha feita de couro pra dormir à noite,” ela riu exausta.

Oliver riu. “Certo, Parceira, estamos indo.”

Foi brutal, e duas vezes Chloe pensou que eles estavam lascados. Clark apareceu mais no final, finalmente capaz de sair de perto de Lois pra vir e ajudar.

E mais uma vez nossos heróis enganaram os vilões, Chloe pensou sarcasticamente. Quando eu recuperar minha memória, vou arranjar uma vida menos clichê... ou talvez mais clichê... Não sei muito bem qual.

Ela sacudiu a cabeça, exausta. Oliver estava meio que a carregando pela porta da Torre De Vigilância.

Certo. Oliver. O Arqueiro Verde. E Bart, e Victor, e AC, e Dinah, e é claro, Clark.

“Ai!”

Oliver a olhou com preocupação. “Que foi?”

“Dor de cabeça.” Ela murmurou, levando uma de suas mãos até suas têmporas. “Estou tendo essas dores agudas aleatórias.”

O time a olhou cautelosamente.

“Ela precisa ir pro hospital, Oliver,” Dinah disse em voz baixa.

A cabeça dele virou bruscamente na direção dela.

“O médico disse nada de choques. Tenho praticamente certeza de que esse dia inteiro é considerado um choque.”

“Eu a levarei,” Clark disse, dando um passo a frente. “E depois eu tenho que voltar pro México antes que Lois sinta a minha falta.”

Antes que Oliver pudesse protestar, Clark desapareceu com Chloe nos braços, deixando nada a não ser uma rajada de vento em seu lugar.

“Vou descobrir que história ele vai inventar pra eles,” Bart disse de repente antes de desaparecer também.

“ELES SEMPRE TEM QUE FAZER ISSO?” Oliver gritou frustrado quando os papéis caiam no chão por causa da segunda rajada de vento.

Dinah apenas revirou os olhos e olhou pro teto. “Vai pegar sua moto, Feijão Verde, e ver como ela está. O resto de nós irá se desintoxicar e cuidar de algumas feridas de batalha.”

Oliver notou pela primeira vez que Victor estava cuidando de um inchaço na cabeça, e que o braço de AC estava sangrando. Dinah se virou e foi cuidar do braço de AC enquanto Victor arranjava um pouco de gelo pra si.

“Vocês estão–”

“Estamos bem, Ollie,” Dinah disse rispidamente enquanto pegava um pano e pressionava-o contra o braço de AC. O rosto dele ficou vermelho ao observá-la. “Vai cuidar da Chloe.”

Oliver concordou e foi pegar roupas comuns antes de sair.

No hospital, a dor de cabeça de Chloe estava ficando pior. O médico lhe deu um sedativo, que devia começar a fazer efeito logo, mas no momento a mente dela era um novelo de imagens, uma poça enlameada de lembranças lutando pra chegar a parte principal de sua mente.

Com um gemido, ela colocou a cabeça de volta no travesseiro. Os médicos disseram que sua concussão se curou anormalmente bem e anormalmente rápido – mas eles acharam o retorno de todas as lembranças dela do ensino médio incomum, e achavam que talvez isso fosse tudo que ela conseguiria. Eles suspeitavam que ou o resto das células cerebrais dela estava danificado demais pra recuperar o resto, ou ela estava reprimindo coisas. Chloe ouviu um deles perguntar a Clark se ela passou por algo traumático nos últimos anos.

Clark não respondeu.

Ela não ia deixar isso acontecer. Ela lembraria de tudo mesmo se isso a matasse.

Ela lutou contra sua consciência, determinada a se lembrar quem realmente era. Encontrar com o Arqueiro Verde no castelo... despertou alguma coisa. Ela percebia isso. Era a mesma sensação que teve na outra noite em que ele a encontrou, mas ela estava lutando pra agarrar-se às imagens que vagavam insultuosamente diante dela.

...

Não é essa a parte em que você aparece e me salva?”

. . . . .

“Você quer isso mais do que quer Clark?”

. . . . .

“Eu não posso assistir você se casar com o homem errado.”

. . . . .

Casar com você foi o pior erro da minha vida.”

. . . . .

“Algo em mim acalma o monstro dentro dele.”

“Falando como a próxima vítima do Davis, garanto que seu plano tinha sérias falhas.”

. . . . .

“Isso é bom. Você está aceitando seu lado kryptoniano. Não sobrou mais nada humano em você.”

. . . . .

“Você me salvou, Chloe, tanto o mito quanto o homem.”

. . . . .

Os olhos de Chloe fecharam-se exaustos na medida em que o sedativo confundia seus sentidos.

Oliver, no entanto, estava bem acordado. Bart o informou da história que Clark contou aos médicos de que Chloe foi assaltada, o que explicava as feridas (mas infelizmente não as marcas em seus pulsos causadas pela corda,) e que o choque a fez entrar em pânico.
Oliver sacudiu a cabeça olhando pro teto quando Bart o contou sobre o que o médico disse sobre as circunstâncias incomuns da cura de Chloe e das lembranças seletivas.

Era possível que a recuperação rápida dela teve alguma coisa a ver com sua antiga habilidade causada por pedras de meteoro? Talvez, mas talvez curar-se rápido demais foi algo ruim. Talvez—

Ele se distanciou do pensamento. Não havia nada que ele podia fazer sobre isso e ele não devia ficar remoendo a possibilidade.

Todos os outros estavam otimistas. Porque ele também não podia estar? Devia tentar ao menos pelo bem dela.

Oliver colocou as mãos nos bolsos e olhou pra parede. “Vai pra casa, Bart. Eu ficarei com ela.”

Bart olhou pra Oliver com um quê de preocupação. “Ei, todos os médicos disseram que ela está bem. Ela está apenas abalada. Eles ficaram surpresos por ela não ter mencionado nenhuma dor de cabeça até então.” Ele deu um tapinha no ombro de Oliver. “Não se preocupe tanto. Faz você parecer um medroso.”

Oliver se moveu pra bater na cabeça de Bart, mas antes que pudesse, Bart já não estava lá. Ele riu cansado e se virou em direção ao quarto de Chloe. Exausto, ele olhou pra mulher adormecida. Oliver não rezava muito, mas naquele momento ele ajoelharia se ajudasse.

Deus, nós dois sabemos que eu sou muito mais do tipo ‘faça algo sobre isso’ do que ‘peça isso a Deus’, mas agora, uma ajudinha seria útil. Então se você tiver um tempo livre qualquer hora dessas, eu seria muito grato.

Ele tirou um pequeno objeto do bolso e o examinou. Ele estava surpreso que Chloe o tivesse guardado. Ele o descobriu quando foi atrás de Dinah no Talon depois de Chloe ter sido sequestrada. Estava ali, no criado-mudo de Chloe no meio de um amontoado de coisas: uma caneca com um pouco de café seco no fundo, um colar, um daqueles mini-buquês de colocar no braço, velho, o despertador...

Com um pequeno sorriso ele o colocou na mesa ao lado da cama dela e foi sentar na cadeira perto da janela.

Uma enfermeira apareceu. “Senhor? Sinto muito, mas você não pode–”

“Posso ficar se quiser. Paguei por pelo menos um terço desse hospital a essa altura,” ele disse calmamente, recostando a cabeça e fechando os olhos.

A enfermeira nervosamente saiu, presumivelmente pra perguntar ao seu superior se devia ou não deixá-lo ali.

Oliver percebeu enquanto começava a cair no sono que talvez ele não pudesse ter certeza se Chloe chegaria a recuperar totalmente a memória, mas ele sabia de uma coisa: ele não iria desistir dela. Ela havia descoberto o bastante pra que ele pudesse contar quase toda lembrança que eles deviam ter juntos. E depois eles podiam trabalhar em mais algumas novas até que ela confiasse nele e pensasse nele como amigo novamente.

próximo

Extraordinarily Ordinary, Capítulo 9

Juro que a intenção era postar o final hoje. Mas ultimamente não tenho tempo nem pra dormir direito, então traduzir ficou mais complicado. Assim que der, eu posto o capítulo 11 :D
Lembrando: essa fic é da
BlueSuedeShoes e os personagens infelizmente não são dela, nem meus, nem de ninguém que não seja a DC Comics e a Warner.
Boa leitura. E comentem depois, please ;D

(desculpem pelos erros, não deu tempo de revisar direito)

 anterior

-9-

Quando Chloe voltou a si, ela estava numa estranha sala branca, amarrada à uma cadeira com uma TV na frente dela.

A situação despertou algo nela, como se seu cérebro estivesse lutando pra lembrá-la de algo importante.

Onde ela estava? E porque diabos alguém a seqüestraria?

Então de repente ela percebeu que com sua ligação ao Borrão e também sua suposta ligação ao Arqueiro Verde, havia cento e uma razões pra alguém sequestrá-la.

Mas onde estou? Chloe se perguntou. A tela diante dela a deixava nervosa. Eles vão fazer uma lavagem cerebral em mim? Chloe imaginou loucamente.

“Fico feliz em te ver acordada, Torre de Vigilância.” Chloe se assustou quando uma mulher apareceu na tela. “Estava começando a me perguntar se você chegaria a voltar a si.”

“Quem é você e porque estou aqui?” Chloe perguntou, lutando contra as amarras.

A mulher a respondeu friamente. “Pode parar com a encenação.”

“Que encenação? O que está acontecendo? Quem é você?”

A mulher a estudou atentamente. Então, depois de algum tempo, ela falou de novo, “Então você tem amnésia. Interessante. Achei um erro surpreendente seu voltar para seu apartamento quando devia saber que estaríamos monitorando tudo por lá.”

“Do que você está falando?” Chloe exigiu saber.

“Não se preocupe, Torre de Vigilância. Você terá tempo de sobra pra lembrar enquanto esperamos seus amigos virem atrás de você.”

A Agente Waller encerrou a transmissão do vídeo e virou-se para o homem que estava com ela.

“Quero dois guardas com ela e ao menos três do lado de fora. Se eles a levarem bem debaixo dos seus narizes como da vez passada, Deus me ajude, cabeças vão rolar.”

O homem a assegurou que nada daria errado e saiu rapidamente.

Waller recostou-se novamente na cadeira, curiosa com a aparente amnésia da qual Sullivan sofria. Waller tinha originalmente pensado que os relatórios do hospital eram um artifício, um jeito de Sullivan ter uma desculpa pra se esconder em algum lugar e ficar longe do radar deles. Aparecer em seu próprio apartamento, no entanto... bom, apenas servia pra mostrar que nem sempre há um plano por trás de cada movimento no tabuleiro de xadrez.

Ela se acomodou na cadeira e esperou seus oponentes fazerem o próximo movimento.

­

De volta a Torre de Vigilância, Oliver tinha uma forte convicção de que havia algo errado. O sinal rastreador de Chloe ainda estava ativo, e mostrava que de fato os agentes da Chequemate a levaram.

Dinah acabou conseguindo se livrar do agressor, salvando-se de também ser capturada, mas não a tempo de salvar Chloe. Oliver gostaria de ter ficado com raiva dela, mas sabia que não era culpa dela. Além do mais, ela já parecia mal demais sentindo culpa. E se Chloe estivesse ali, e ele que tivesse sido seqüestrado, ela nunca teria ficado com raiva de ninguém. Ela teria calmamente formado um plano como sempre fazia e deixado todos tranquilos.

“Como pode eles não terem desativado o sinal dela?” Victor finalmente vocalizou a pergunta que estava na cabeça de todos. “É simplesmente descuidado demais. Eles são mais espertos que isso.”

Oliver olhou fixamente pro ponto que piscava na tela. “Eles querem que a gente vá atrás dela.”

Bart o olhou. “O que? Porque? Achei que ela fosse o alvo principal da última vez. Eles conseguiram o que queriam então, não é?”

“Já jogou xadrez, Bart?”

“Não mesmo. É um jogo lento demais. Porque?”

“Porque,” AC respondeu por Oliver, “parte do jogo é tomar o máximo possível de peças do outro jogador.”

“Que, tipo ‘colecionar todas elas’ ou algo assim?”

“Acho que a idéia é exatamente essa,” Oliver disse, olhando pra todos eles, tentando não pensar no que isso significava pra eles sem a Torre de Vigilância pra guiar essa missão.

“Clark vem?” Dinah perguntou.

“Ele já tem as mãos cheias o suficiente com Lois, infelizmente. Ela está de olho nele o tempo inteiro e concordamos que não é uma boa idéia contar pra Lois que a prima com amnésia dela foi seqüestrada por uma organização secreta do governo, se pudermos evitar isso. Ele virá se surgir uma chance, mas caso isso não aconteça teremos uma baixa.”

“Duas baixas,” Bart lembrou. “Contando Chloelicious.”

Oliver o encarou, e Bart parou nervosamente.

“Desculpa.”

“Olhem, eis como iremos fazer isso. Victor, você pode visualizar um mapa do prédio a qualquer instante, certo?”

“Com certeza.”

“Ótimo. Quero que você vá primeiro e nos ajude a andar por lá.” O maxilar de Oliver travou enquanto Victor concordava. Esse era pra ser o trabalho da Chloe.

Chloe, horas depois, estava no processo de formular um plano só dela. Porém, não começou desse jeito. Começou com o pensamento solitário, Deus do céu, o que eles querem comigo?

E então, lentamente, várias peças finalmente se encaixaram.

Ela se sentia um pouco idiota, na verdade, considerando o tempo que levou pra ela perceber o que estava bem na sua frente.

Tudo levava a isso: A relação misteriosa de Oliver com Clark, que incluía ele estar a par dos segredos de Clark. O jeito superprotetor dele. O fato de que não somente ele percebeu imediatamente quando ela saiu, mas claramente entrou em pânico por causa disso.

E ela não tinha se deparado com o Arqueiro Verde naquela mesma noite? De que outra forma ele saberia que deveria procurá-la? Era evidente que foi isso que aconteceu. Ele não tinha simplesmente dado de cara com a única garota em milhas aleatoriamente no meio da noite.

Havia as coisas pequenas também. Sua altura, por exemplo. A covinha no queixo.

O cheiro de couro.

É por isso que todo mundo está escondendo coisas de mim, por isso eles estão receosos que eu entre em choque ou reaja mal.

O Arqueiro Verde disse que trabalho com ele. Como eu poderia fazer isso e ser a assistente pessoal de Oliver Queen – sendo que nesse último eu trabalharia o dia inteiro se fosse verdade – sem alguém notar?

Chloe revirou os olhos. Pelo amor de Deus, ele me chama de ‘Parceira’, dentre todas as coisas!

Uau. Demorei bastante, ela pensou exausta. Lentamente também fez sentido a razão pela qual eles a capturaram. Não estavam interessados nela. Descobriram de alguma forma sua relação com o Arqueiro. O Arqueiro disse alguma coisa quase exatamente igual, também. “Não é seguro aqui fora pra você. Há pessoas que sabem sobre nós e te usariam pra chegar até mim. Eu não quero você andando por aí sozinha até se lembrar de nós.”

Ela era a isca.

Bem, então, ela pensou inflexivelmente, simplesmente terei que sair daqui antes que ele entre em alguma encrenca por mim.

Ela olhou pros dois homens de pé, ambos parecendo bastante entediados.

Não são exatamente o melhor que eles tinham, são? Ela arqueou uma sobrancelha. Ok, bom, posso ser mais uma jornalista do que uma atriz, mas certamente posso inventar alguma coisa num instante aqui.

Ela lembrou que no Talon quando foi atacada, ela quase derrotou um dos valentões. Ela era mais forte do que aos dezoito, e seus instintos a guiaram mais do que qualquer outra coisa. Ela lembrava-se de saber alguma coisa sobre defesa pessoal. Ela foi forçada a aprender isso depois de um tempo, mas aparentemente suas habilidades ficaram mais aguçadas com o passar dos anos.

Ou assim espero, de todo modo. Provavelmente terei que me guiar quase que inteiramente por instinto aqui.

Ela virou a cabeça pro homem mais perto dela, que estava sentado contra a parede, os cotovelos apoiados casualmente nos joelhos.

“Então,” ela disse, “o que uma garota tem que fazer pra conseguir um gole de água por aqui?”

“Cale a boca,” ele rosnou brevemente.

“Que?” ela perguntou inocentemente. “Você tem idéia do tanto que a boca fica seca depois de tanto tempo desacordada assim? É só um copo d’água.”

Ele não respondeu, então ela suspirou dramaticamente.

“Vocês dois são companhias horríveis, sabiam disso? Porque não me contam alguma coisa sobre vocês? Como os nomes, pra começar?”

Ela olhou de um para o outro, mas ainda assim ninguém respondeu.

“Tímidos? Tudo bem. Eu costumava ser tímida, também... bem, não, acho que nunca fui tímida, mas meu melhor amigo era. Muito tímido. Dolorosamente até. Ele costumava tropeçar apenas por estar no mesmo lugar que a menina que ele gostava. Na verdade isso era porque ele era seriamente alérgico ao colar que ela usava – o que é uma coisa bem esquisita pra se ter alergia, não acham? – mas enfim, ele nunca realmente deixou de ser tímido também. Acho que é simplesmente parte da essência da pessoa. Além do mais ele foi criado numa fazenda por pessoas muito educadas, então aposto que tem muito a ver com isso, também. Eu gostava dos pais dele. Eles eram sempre muito gentis comigo, e a mãe dele, meu Deus, ela fazia os melhores –

“Se eu pegar sua água, você fica calada?”

Chloe concordou, sorrindo pra ele. Ele foi até o parceiro e murmurou alguma coisa que ela não conseguiu ouvir. Ela usou a oportunidade pra determinar com qual tipo de nó ela estava lidando ao redor dos pulsos. Tinha passado uma boa parte dos seus anos de ensino médio aprendendo como escapar de algemas e cordas, e ela só podia agradecer a Deus ter sido seqüestrada depois de se lembrar dessa parte de sua vida.

Quando o primeiro cara saiu supostamente pra pegar sua água, o segundo se levantou e andou até ela, arma em punho.

Chloe arqueou uma sobrancelha pra armar. “Bom, isso não é muito amigável,” ela brincou.

Ele revirou os olhos em resposta.

Chloe sorriu.

“Porque você está tão feliz?”

“Você não tem idéia de como essas cordas estavam esfolando meus pulsos.”

próximo

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Extraordinarily Ordinary, Capítulo 8

Extraordinarily Ordinary é uma fic da BlueSuedeShoes ;D

anterior

--8—

Na manha seguinte Oliver imitou Chloe e fingiu que nada tinha acontecido na noite anterior a não ser a volta da memória dela. Ele entrou na cozinha e a encontrou já acordada. Ela estava debruçada sobre os jornais que Bart tinha deixado, alternando entre eles várias vezes, e – ele notou com interesse – constantemente voltando ao retrato-falado do Arqueiro Verde.

“Lembrou de mais alguma coisa?” ele perguntou casualmente, tentando não denunciar seu desespero.

Ela balançou a cabeça negativamente, sem tirar os olhos do jornal. “O Clark é o Borrão?”

“Sim.”

Aí sim ela tirou os olhos do jornal. “Sério?”

Oliver confirmou, pegando uma caixa de cereal. “Quer alguma coisa?”

“Não, obrigada. Quando ele se tornou o Borrão?”

“Uns dois anos atrás.”

“Uau.” Ela voltou para o jornal. Depois, passado um momento, ela pareceu se preparar pra algo. “O que você sabe sobre o Arqueiro verde?” Chloe suspeitou que talvez o fato dela saber da identidade de Clark era a razão do Arqueiro Verde dizer que a conhecia. Ela devia o ter conhecido através do Clark. E se Oliver sabia sobre Clark, então havia uma grande chance dele conhecer esse segundo herói também. Ela planejou perguntar a mesma coisa pra Clark quando ele ligasse mais tarde.

“Porque você pergunta? Lembrou de alguma coisa sobre ele?” ele perguntou se sentindo um pouco idiota. Era bizarro fingir pra Chloe que ele não era o Arqueiro Verde.

“Não, eu só... só estou curiosa. Tenho uma sensação estranha que me diz que eu devo conhecê-lo.” Ela cuidadosamente pulou a parte em que ela encontrou esse homem misterioso na noite anterior.

Oliver a olhou agudamente, irritado com a falta de sinceridade dela. “Ah?”

Ela deu de ombros. “Sim. Mas sei lá. Deve ser porque eu aparentemente escrevi um ou dois artigos sobre ele. Tanto faz.”

Oliver sorriu amargo pra si mesmo. Ela era boa. Qualquer outro que não ele teria acreditado nisso facilmente.

Chloe olhou pra Oliver, dessa vez pensativa. “Pergunta.”

“Qual?”

“Porque e como você sabe sobre o Clark?”

Oliver não estava preparado pra essa, embora devesse estar. Ele conseguiu um pouco mais de tempo colocando um pouco de cereal na boca. Depois de engolir, respondeu cuidadosamente. “Bom, o cara não exatamente usa uma máscara. Enfim, eu e ele ajudamos um ao outro numas enrascadas aqui e ali.”

Chloe mordeu a língua, seus olhos parecendo procurar os de Oliver. Ele via que ela estava tentando obter mais informações dele, determinar se havia mais informações.

“Então Clark e Lois voltam em dois dias, e você tem uma consulta com o médico amanhã. Está basicamente livre hoje. O que quer fazer?” ele perguntou, mudando de assunto pra evitar as águas perigosas e turbulentas do anterior.

“O que você vai fazer?”

Ele deu de ombros. “Não tenho nenhuma reunião hoje, só um evento à noite.”

“Ah.” Ela se sentiu culpada por secretamente ter esperanças de que ele ficasse ausente como no dia anterior. Ela estava quase que com medo de ficar sozinha com ele.

“Então...” ele a encorajou.

“Umm... Não sei. O que eu faço pra me divertir?”

Ele olhou pra cima, surpreso com a pergunta. “Ehhh...”

Chloe se lembrou do que Dinah disse no outro dia sobre ser anti-social. “Eu sou tão reclusa assim?” ela disse cansadamente.

Oliver a olhou compreensivo, mas não respondeu.

“O que aconteceu? Todo mundo me diz que eu passei por muita coisa. O que foi tão desolador assim? E não me diga que não pode me contar!” ela o cortou, vendo as palavras já se formando nos lábios dele.

Oliver fechou a boca e olhou pra baixo. Fazendo um barulho frustrado, Chloe levantou e saiu da mesa.

“Onde você vai?” ele perguntou.

“Vou tirar esse pijama e colocar outra roupa, Oliver. E depois vou ligar pra Lois e perguntar quais filmes eu vi nos últimos anos que eu tenha gostado. E depois eu vou assisti-los na sua TV.”

Oliver riu, balançando a cabeça. “Ah, Chloe,” ele murmurou. Mas aí ele ficou sério. Como Chloe reagiria se lembrasse de Brainiac e Davis e Jimmy e todas as coisas que aconteceram nos últimos anos? Ele não achava que podia suportar ver a dor nos olhos dela de novo. Era isso que o tinha feito fugir, afundando-se no álcool e se escondendo dela mais do que de qualquer outra pessoa. Ela seria capaz de perdoá-lo mais uma vez pelo papel dele na tragédia dela? Isso o surpreendera já na primeira vez.

Talvez Clark tenha um pouco de razão, ele pensou amargamente. Talvez Chloe esteja melhor não se lembrando de tudo isso... não se lembrando de mim.

Ele levantou da cadeira, pegando a tigela do cereal e o prato de Chloe. Deu uma olhada no último e percebeu que ela encontrou as panquecas de mirtilo do dia anterior no freezer e as esquentou. Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.

Chloe ficou em casa e assistiu filmes a manhã inteira. Oliver, enquanto isso, estava pesquisando sobre a Chequemate e algumas das novas informações da LJ sobre essa organização. Sua cabeça estava começando a doer ao revisar arquivo após arquivo, tentando descobrir do que essas pessoas realmente estavam atrás. O que eles queriam com heróis? Porque eles seqüestraram Chloe?

Chloe. Isso era trabalho dela, não dele. Era ela que sempre juntava as peças do quebra-cabeça. Victor podia quebrar um galho na próxima missão como Torre de Vigilância, mas a verdade era que eles precisavam dela de volta.

Ele olhou pro canto do sofá em que ela estava sentada. Pensou como seria se ela nunca recuperasse totalmente a memória. Sem dúvidas ela descobriria sobre o Arqueiro Verde novamente. Já tinha feito isso uma vez, não tinha? Ele viu o olhar no rosto dela durante o café. Ela estava determinada a resolver esse mistério. Ele suspeitava que ela talvez já pensasse que Oliver estava de alguma forma envolvido. Não lamentaria quando ela descobrisse. Seria bom restaurar pelo menos essa parte do relacionamento deles. E talvez ele pudesse convencê-la a voltar pro seu trabalho. Ela recuperaria as habilidades com o computador mesmo sem a memória? Era discutível, mas duvidoso. Porém, ela podia reaprender. Victor poderia ajudá-la. Talvez eles pudessem ter a Torre de Vigilância de volta sem ela ter que sofrer a dor do Apocalipse toda de novo.

Ele balançou a cabeça. Isso não era justo. Não era ele que dizia pra ela que queria que recuperasse todas as lembranças, não importa quão sombrias fossem? Ela tinha ficado grata a ele por isso, chateada com o fato de Clark querer o contrário.

A percepção de que ele estava começando a pensar como Clark o incomodou, e ele se afastou da mesa, admitindo que não faria nenhum progresso com Chequemate. Ao menos não naquele momento.

Olhou pra Chloe novamente. “Vou sair por um minutinho,” ele disse a ela. “Você está bem? Precisa de alguma coisa?”

Chloe tirou os olhos da TV. “Não, estou bem.”

Oliver pegou sua jaqueta de couro preta e saiu do apartamento, os olhos de Chloe o seguindo enquanto o fazia, se perguntando onde ele estava indo.

Chloe suspirou quando a porta do elevador se fechou, e ela afundou no sofá. Isso era... estranho. Tudo ao redor dela era estranho. Estava tão feliz por lembrar de Clark e sua vida dupla. Tantas peças se encaixaram quando ela se lembrou do ensino médio, e ainda assim tantos outros mistérios permaneciam, a maioria deles envolvendo Oliver.

Ela levantou pra ver o que ele estava fazendo no computador, o coração batendo acelerado como sempre fazia quando ela metia o nariz onde não era chamada.

Mas a maioria dos arquivos estava encriptada, e ela não achava que tinha tempo pra quebrar os códigos antes de Oliver voltar. Nem tinha certeza se era capaz. Ela era uma hacker decente, mas isso parecia avançado demais pra ela. Tudo que conseguiu descobrir foi que a maioria dos arquivos tinha alguma coisa a ver com algo chamado Chequemate.

De repente Chloe teve uma visão de um homem mais velho, morrendo na frente dela, sua última palavra “Cheque.”

Mas tão logo que veio, logo sumiu, como água escorrendo entre seus dedos, e ela não conseguia se lembrar mais.

Ela balançou a cabeça. O que era Chequemate e porque Oliver pesquisava tanto sobre isso? Achou que talvez fosse relacionado à empresa, mas quando ela pegou seu próprio computador pra pesquisar isso no Google, o resultado era virtualmente infrutífero.

“Chequemate... a palavra dançou em seus lábios com uma familiaridade desconcertante. Finalmente, porém, depois de não lembrar nada, ela desistiu. Fechando o computador, ela notou o barulho do elevador se movendo, o que queria dizer que Oliver estava voltando. Ela correu pela sala e deitou de volta no sofá, como se nunca tivesse se movido. Ela queria voltar um pouco o filme, mas não queria correr o risco dele notar alguma coisa.

Bem feito, ela pensou irritada consigo mesma. Não descobriu nada.

Oliver entrou na sala com dois cafés na mão e a primeira coisa que notou foi que seu laptop estava novamente aberto. Ele arqueou uma sobrancelha com deleite enquanto olhava pra Chloe. Por um momento ele pensou se devia ou não falar com ela sobre ela ter espiado, como ela reagiria se ele fizesse isso, mas ele decidiu não fazer. Apenas o fato dela estar espiando – o investigando, basicamente – era um sinal promissor de que ela estava voltando a ser uma Chloe com a qual ele estava mais familiarizado. Ele se perguntou se ela descobriu alguma coisa útil.

Se permitindo dar uma risada baixinha, ele andou até ela e entregou o café que trouxe pra ela.

Ela parecia surpresa. “Obrigada”

“De nada,” ele disse, sentando ao lado dela. Ele não tinha tirado a jaqueta e Chloe involuntariamente inspirou o cheiro de couro novamente.

“Você cheira bem,” ela disse aleatoriamente.

Ele riu. “Obrigado?”

Ela riu também. “Desculpa. Eu não sei. Por alguma razão eu gosto do cheiro de couro.”

As sobrancelhas de Oliver se ergueram, arqueadas, mas ela não notou, os olhos grudados na tela da TV naquele momento. Finalmente, aceitando que isso era tudo que ela iria dizer sobre o assunto, ele se virou pra TV também. “O que você está vendo?”

“O filme do Anjo Guerreiro que Lois diz que teve uma parte filmada na fazenda Kent. Na verdade não é inteiramente ruim. Bem do tipo Blockbuster, mas bom.” Ela deu um gole no café. “Lois disse que gosto muito de filmes de super-heróis,” ela acrescentou, uma das sobrancelhas se erguendo levemente. “Sem dúvida uma consequência de ser amiga de Clark Kent,” disse.

Oliver concordou com um aceno de cabeça. “Provavelmente.” Ele não sabia isso sobre ela. Não tinha idéia de que tipos de filme ela gostava ou não.

Depois de um tempo Chloe falou de novo, os olhos nunca deixando o filme. “Para com isso.”

“O que?” ele perguntou sorrindo.

“Me assistir assistindo o filme. É desconcertante e muito irritante.”

“Aw,” ele provocou. “Porque? É tão divertido.”

“É estranho. Pare.”

Sorrindo, ele relutantemente tirou os olhos dela e olhou pra TV. “Tá bem, tá bem.”

Quando o filme acabou Chloe se virou pra ele. “Que horas é a consulta com o médico amanhã?”

“Não antes da tarde. 12:30, eu acho.”

“Obrigada.” Ela levantou do sofá e foi jogar fora o copo agora vazio de café. “Obrigada pelo café, por falar nisso.”

“De nada.” Oliver a observou e então se preparou. “O que você acha de sair essa noite?”

Ela olhou pra cima, surpresa. “O que?”

“Eu tenho aquele... evento que te falei. Você quer ir? Você não tem que ir,” ele acrescentou rapidamente. “Com certeza posso encontrar outra pessoa,” ele xingou mentalmente ao perceber o quão estúpido isso soava em voz alta, “mas achei que talvez você gostaria de sair à noite.”

Chloe o olhou com cautela. “Que tipo de evento?”

“Não é grande coisa.”

Ela arqueou uma sobrancelha pra ele com suspeita.

“Baile de Caridade,” ele admitiu.

Chloe fechou os olhos, pensando. Por um lado, era uma oferta muito tentadora. Por outro, era uma idéia muito ruim ir a algo que parecia um encontro com Oliver. Ela mordeu o lábio.

Mas novamente, ela se perguntou, porque é uma idéia tão ruim? Quero dizer, doeria tanto assim fazer isso? Talvez eu estava errada sobre a noite passada. Não sei. Ainda parece estranho que ele pense em mim dessa forma… mas ele está convidando, não está? Não posso ter certeza de que irei sequer recuperar minha memória completamente – apesar de que a noite passada certamente me deu motivos pra ter esperança – mas mesmo assim, talvez eu devesse tentar conhecê-lo de verdade. Todo mundo insiste que somos tão bons amigos...

“Porque não?” ela disse em voz alta. “Mas devo dizer que não acho que vi uma roupa formal entre as que Clark trouxe pra mim,” ela acrescentou.

“Sem problemas. Comprarei alguma coisa pra você.”

Chloe pareceu surpresa. “Nem pensar.”

“Mas você disse—”

“Não vou deixar que você compre um vestido pra mim.”

Oliver revirou os olhos. “Porque não?”

“Porque—” ela se atrapalhou com as palavras, “porque é inapropriado e... e—”

“Você não tem nenhuma razão válida, não é?”

“Não. Mas ainda assim eu não quero que você faça isso. E se eu fosse com Dinah no Talon pra escolher alguma coisa minha?” Chloe estava surpresa com a própria genialidade. Seria uma oportunidade perfeita pra procurar no Talon algum vestígio de seu passado mais recente

Oliver parecia cauteloso. “Você levará Dinah com você?”

“Claro.”

Ele coçou a parte de trás da cabeça. O que podia fazer? Não era como se ela fosse sua prisioneira ou algo assim. Ela era livre pra ir se quisesse. Ela estará segura com a Canário, ele acrescentou pra si mesmo. “Sim, claro. Porque não?”

E foi assim que Chloe acabou no Talon, ajudando Dinah a fazer uma busca em seu closet.

... ou, mais precisamente, Dinah estava fazendo uma busca no closet de Chloe enquanto ela imperceptivelmente explorava as mudanças no lugar, comparando ao que lembrava. A falta de fotos a surpreendeu. Ela sempre gostou de ter vários porta-retratos espalhados no ensino médio. Não havia nenhuma a ser encontrada agora. Ela tinha a estranha impressão de que elas foram guardadas por alguma razão desconhecida – como se ela não quisesse olhar pra elas.

Ótimo, ela pensou, agora estou guardando segredos até de mim mesma.

“E esse?” Dinah interrompeu seus pensamentos, segurando um vestido rosa brilhante.

“Definitivamente não,” Chloe fez uma careta. Era o vestido que ela usou no baile de recepção com Clark.

Dinah pendurou o vestido novamente. “É, rosa realmente não combina muito a ver com você, não é? Muito Barbie.”

Chloe riu. “Que cor você acha que devo usar?”

Dinah arqueou uma sobrancelha pra ela, os olhos dançando. “Definitivamente verde. Vamos ver se –”

As palavras de Dinah foram interrompidas por alguém arrombando a porta.

“O que –” Alguém agarrou Chloe por trás, e o instinto a dominou enquanto ela se debatia contra o assaltante, quase conseguindo se soltar antes de uma segunda pessoa se juntar à briga.

“Chloe, tape os ouvidos!” Dinah gritou e Chloe deu uma olhada a tempo de vê-la começar a gritar, um grito sobrenatural preenchendo o lugar. As mãos de Chloe foram pros ouvidos instantaneamente, tentando bloquear o som. O que diabos estava acontecendo? De repente o barulho que fez os dois agressores caírem de joelhos foi abruptamente interrompido quando um terceiro homem se lançou na direção de Dinah, jogando uma espécie estranha de líquido que parecia uma cola na boca dela. Dinah tentou tirar aquele treco do rosto dela, mas não teve chance quando o agressor deu um golpe que a derrubou.

A última coisa que Chloe viu foi Dinah lutando com o agressor antes de Chloe sentir uma picada no pescoço. Numa questão de instantes tudo ficou preto.


Vinte minutos depois, Oliver pegou o celular e viu o nome Dinah Lance na tela. Ele atendeu, mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, Dinah falou freneticamente.

“Oliver, eu perdi Chloe.”

“Você o QUE?”

próximo

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Extraordinarily Ordinary, Capítulo 6

 

O sexto capítulo. Eu particularmente gosto muito desse, acho que deve ser porque o Green Arrow aparece.
Boa leitura ;D

anterior

--6—

Oliver estava… confuso. Aliviado, mas confuso.

Ele estava aliviado porque a LJ trouxe Chloe de volta inteira, e eles pareciam ter se divertido.

Ele estava confuso porque Chloe estava cuidadosa e determinadamente evitando contato visual com ele. Ela também aparentava estar num permanente estado de embaraço, o rosto intensamente ruborizado. Era muito fofo, mas muito desconcertante porque ele não sabia o motivo, apenas que era diretamente relacionado a ele. Ela estava normal com os outros.

Ficou desapontado em ouvir que ela não tinha reconhecido mais ninguém. Ontem parecia que as lembranças estavam voltando constantemente. Hoje, pelo que ela havia dito, nada tinha voltado. Ele estava preocupado com a possibilidade de que depois do pesadelo na noite anterior ela estava com medo de se lembrar de outras coisas, que ela pudesse estar reprimindo memórias agora.

Com esses pensamentos voando em sua cabeça, Oliver observou Chloe do outro lado da sala. Ela estava rindo animada por algo que Bart acabara de sussurrar em seu ouvido. Ele parecia satisfeito consigo mesmo.

Ele estava com ciúmes de Bart. Isso era evidente até pra ele. Como poderia não estar? Ela podia não se lembrar de tudo sobre Bart, mas ao menos o conhecia. Não havia nada mais enlouquecedor do que a falta de reconhecimento nos olhos dela quando olhava pra Oliver.

Quando ela olha pra mim, ele se lembrou, sua mente remoendo o fato de que ela se recusava a fazer isso. Estava tão imerso em tentar solucionar esse enigma que pulou quando Dinah se dirigiu a ele.

“Quando os jornalistas intrépidos retornam?” ela perguntou casualmente, seguindo a direção do olhar dele até Chloe.

“Daqui a alguns dias.”

“Suponho que Chloe ficará com Lois ou Clark quando eles voltarem?”

“Provavelmente. Se ela não voltar a si até lá,” ele acrescentou sem muita convicção.

“Como foi a noite passada?” ela perguntou, virando-se pra ele preocupada.

Oliver fechou os olhos, exausto.

“Tão ruim assim?” ela perguntou solidária.

“Você sabia que Chloe já foi enterrada viva?”

As mãos de Dinah voaram pra sua boca e seus olhos horrorizados desviaram-se pra Chloe. “Ai meu Deus.”

“É,” Oliver disse através dos dentes cerrados. “Ela teve um pesadelo com isso na noite passada. A deixou bastante abalada.”

“Eu imagino,” Dinah disse. “Quando foi isso?”

“No ensino médio. Clark a salvou mas ela não se lembra como.”

Dinah concordou. “A vida certamente gosta de escolher essa mulher, não é?”

“Aparentemente.” Daí ele olhou pra Dinah agudamente, pensando em algo. “Ela se lembrou de alguma coisa sobre mim hoje?”

“Não que ela tenha me dito. Porque?”

“Tem certeza?”

“Bastante.”

“Ela está agindo de forma estranha. Não olha pra mim.” Seus olhos voltaram pra Chloe, que agora estava imersa numa conversa com Victor.

“Ah?” Dinah perguntou, diversão em sua voz.

“É.”

“Bom, ela tem a mente de uma garota de quinze anos agora, essencialmente,” Dinah sorriu, racionalizando o comportamento de Chloe.

“Como assim?”

“Pense, Ollie. O que queria dizer no ensino médio quando uma garota não olhava você nos olhos?”

Oliver a olhou confuso.

“Uau, você é obtuso,” Dinah riu, indo pegar uma bebida. “Ou talvez você nunca notou as tímidas. Eu acho que isso também é bem provável.”

Chloe ergueu os olhos em tempo de ver Oliver olhando pra Dinah parecendo confuso. Os olhos dele então se voltaram pra ela antes que pudesse desviar o olhar. O rosto de Chloe ficou quente e imediatamente se voltou pra Victor, que a atualizava sobre os avanços da tecnologia. Ela começava a se perguntar por que alguém precisaria de suas teóricas habilidades informáticas se tinha Victor por perto. Ela sorriu com seu entusiasmo.

Ao perceber que os outros iriam embora em breve, Chloe fingiu estar com sono e se retirou pra cama mais cedo. Era um jeito de evitar ficar sozinha com Oliver. Ela sabia que era irracional e que ela teria que encará-lo pela manhã, mas naquele momento precisava ficar sozinha pra descobrir como se sentia em relação ao que Dinah havia dito.

Antes que ela tivesse a oportunidade de fazer isso, seu celular tocou. Sorriu quando a tela mostrou o nome de Lois.

“Ei, Lois! Como está o México?”

“Quente. E a água é terrível. Mas apesar disso Clark e eu estamos nos divertindo. Estou ligando pra falar sobre você, no entanto. Como você está? A memória já voltou? Oliver está te tratando direito?”

“Estou bem. Minha memória não voltou totalmente, mas me lembrei de algumas coisas ontem, nem tantas hoje.”

Lois não falhou em notar como Chloe evitou a última pergunta. “E Oliver? Você está bem ficando aí com ele?”

“Ele é ok. Está tudo ok. Eu não sei. É apenas estranho.”

“Sinto muito, prima. Prometo te resgatar quando voltar. Eu sei que ele pode ser um pouco besta as vezes. Diga a ele que eu disse pra ele se comportar com você.”

“Ele tem sido ótimo, Lo,” Chloe tentou assegurar sua prima.

“Sim, sim. Ele ao menos fez as panquecas de mirtilo pra você como eu falei?”

“S – sim,” Chloe respondeu surpresa.

“Bom. Elas não são as melhores? Garanto que você não esperava que ele tivesse algum tipo de habilidade culinária, não é?”

“Não, acho que não,” Chloe disse, pensando nas panquecas que ela mal tocou naquela manhã com desânimo. Ela esperava não ter ferido os sentimentos dele.

“Bem, não se preocupe muito, Chloe. Sua memória vai voltar ao normal, e você e Oliver poderão rir disso depois.”

“Lois?”

“Que?”

“O que eu faço pro Oliver?”

“Como que eu iria saber? Você nunca fala disso. Você apenas diz que faz muita pesquisa e que lida com a imprensa pra ele.”

O coração de Chloe afundou ao perceber que aparentemente ela mantinha segredo sobre seu trabalho com Lois. Ótimo. Porque eu esconderia isso logo dela? E o que diabos havia pra esconder?

“Bom, escuta, Chloe. Tenho que ir. Taxas de DDI e tudo mais, mas eu queria me certificar que você estava bem. Me ligue se precisar de qualquer coisa. Clark disse que ligará pra você amanhã. Ele está ocupado agora.”

“O – Ok.”

“Amo você, prima.”

“Também amo você, Lo. Se cuida.”

Ela desligou com um suspiro exausto. O que estava acontecendo afinal de contas? Ela queria marchar até a sala e exigir saber o motivo de tanto segredo. Era enlouquecedor;

Chloe tentou dormir. Ela sinceramente tentou, mas o sono simplesmente não vinha. Ela se agitou e revirou na cama, pensamentos sobre Oliver perturbando-a junto com sua confusão em relação ao Clark. Não ajudava que ela estava inconscientemente com medo de dormir novamente.

Finalmente, incapaz de ficar no quarto por mais um instante sequer sem perder a cabeça, Chloe saiu da cama. Colocou suas roupas e silenciosamente deixou o quarto. O apartamento estava escuro e Oliver evidentemente dormindo. Ela pegou seu casaco e saiu, desejando que o elevador fosse menos barulhento. Ela não estava fugindo, tecnicamente. Apenas precisava sair, tomar um ar fresco e clarear a cabeça. Ela se sentia presa, encurralada.

Chloe decidiu ficar na mesma rua do apartamento de Oliver, sob a segurança de postes com luzes brilhantes. Ela não estava tentando ser irresponsável ou insensata, apenas tinha que sair daquele apartamento. Tudo ali gritava pedindo reconhecimento, mas ela não conseguiu nada.

No fim da rua ela se sentou num banco debaixo de um poste e olhou pro céu. Ela não podia ver as estrelas, mas a lua estava lá. Ela olhou pra lua, pensando no quão velha ela ficou desde a última vez em que olhou pra ela. Não havia ninguém por perto, mas ao longe ela ouviu um som de uma moto.

Então, de uma vez, sem perceber que era exatamente o que precisava, Chloe começou a chorar.

“Porque eu?” ela exigiu saber de ninguém, os soluços aumentando e mais auto-piedosos. Ela se abraçou, desejando lembrar, mas nada voltou. Era como ter o botão mute pressionado no cérebro. Um vazio gigante parecia tomar conta dela e ela temia que ele nunca fosse embora totalmente.

“Um pouco tarde pra assistir o por do sol, não é?” Chloe quase gritou de susto quando ouviu a voz grossa atrás dela. Ela se virou freneticamente pra ver o homem que ela observou no retrato-falado naquela manhã. Ele parecia bravo. Instintivamente ela levantou e se afastou dele. “Se importa em me explicar o que está fazendo aqui?”

Com o coração martelando no peito, Chloe olhou nervosamente ao redor. “Não vejo porque tenho que me explicar pra você.”

Oliver parou de avançar, percebendo que ela estava pronta pra correr. Seu alivio por encontrá-la ali era imenso. Quando percebeu que ela tinha sumido, ele imediatamente supôs o pior e o equipamento de AV foi colocado sem pensar duas vezes. Ele agradeceu a Deus por ela ter levado o celular pra que ele pudesse seguir o dispositivo rastreador nele.

Acho que essas coisas foram uma boa idéia afinal, Chloe.

“O que você quer?” Chloe perguntou, criando coragem.

“Eu ia te levar pra casa.” Oliver pensou seriamente em simplesmente contar quem eram, mas não tinha certeza de como ela lidaria com isso. Agora definitivamente não era a hora de sobrecarregá-la com informações, certamente não quando tinha acabado de encontrá-la chorando sozinha na esquina da rua no meio da noite. Ela poderia tentar fugir.

“Posso chegar lá perfeitamente bem sozinha, obrigada.”

“Você não confia em mim.”

Chloe não gostou do sorriso debochado no rosto dele, como se tivesse esperado por isso. “Eu não te conheço.”

O sorriso desapareceu por um breve momento. “Ouvi dizer que você perdeu a memória.”

Os olhos dela arregalaram. “Como você sabe disso?”

“Como você acha que chegou ao hospital depois do carro te atropelar?” ele perguntou a ela. “Sou um amigo, Chloe.” Ele deu um passo na direção dela.

Chloe não podia acreditar no que estava ouvindo. Ela o conhecia? Como isso era possível? Ela não tinha certeza se acreditava. Mas ele sabia o nome dela de algum jeito. Ela se obrigou a pensar direito. Não fazia nenhum sentido. Como ela conhecia alguém como ele? Ela olhou pra cima e pulou ao perceber que ele estava na frente dela agora.

“Está tudo bem, Chloe. Eu nunca machucaria você. Pode confiar em mim.”

“Porque todo mundo fica me dizendo isso? Como se fizesse alguma diferença!” Chloe exclamou, perdendo a cabeça. O sorriso debochado apenas cresceu, como se também esperasse por isso, e estivesse apenas testando-a.

“Foi você quem fugiu. Estou aqui apenas pra ajudar,” ele lembrou. Chloe teve que lutar contra um tremor. Ele estava usando algum dispositivo pra distorcer a voz, seu rosto escondido nas sombras, e ela não gostava do quão próximo ele estava dela. Ele claramente sentia-se completamente seguro de si perto dela.

“Não preciso de ajuda e não quero ajuda. Não quero voltar.”

“Porque não?” ela ouviu o tom da voz dele mudar drasticamente, mas não conseguia interpretar o que a diferença significava.

“Apenas não quero. Não agora. Então me deixe sozinha.” Ela deu um passo pra trás mas ele estendeu a mão, automaticamente segurando seu braço. “Solta,” ela o encarou de cara feia.

“Sabe, se você lembrasse de mim, não estaríamos tendo esse problema.”

Ela o encarou. “Se eu me lembrasse de alguma coisa não estaria aqui agora.”

“É, eu achei que fosse assim. Me deixe te levar pra casa, Chloe.”

“Eu nem sei onde eu moro.”

“Quis dizer pra casa do Queen.”

“Eu te disse –”

“Eu sei que você não quer voltar,” ele disse duramente, “mas você ficará segura lá. Não deveria estar aqui fora sozinha.”

“Porque, você se importa?” ela desafiou. Deixou escapar um pequeno arfar de surpresa quando ele a puxou pra mais perto, agora com as duas mãos segurando seus braços.

“Muito,” ele disse numa voz áspera, claramente controlando suas emoções. Vendo o olhar assustado dela ele afrouxou o aperto e a soltou, uma das mãos movendo-se pra secar as lágrimas em seu rosto. “Não gosto de ver você assim.”

Chloe não podia explicar mas por algum motivo, ela derreteu. Com uma inexplicável convicção de que estava segura com ele, ela deixou a cabeça pender e apoiar-se no peito dele, exausta. “Somos dois então,” ela murmurou tristemente. Fechando os olhos, ela inspirou o cheiro de couro, e sua cabeça de repente começou a girar com a familiaridade. “Quem é você?” Perguntava mais pra si mesma do que pra ele, mas ainda assim ele respondeu.

“Sou um amigo, Chloe. Eu te disse. Está tudo bem.” Os braços dele envolveram-na protetoramente, e Chloe tremeu, O coração dela começou a acelerar novamente, mas por uma razão bem diferente de medo. As mãos dele passavam pelas costas dela tranquilizadoramente, tentando diminuir a tensão ali. “Sei que você não quer, mas pode confiar em mim.”

Chloe começou a chorar mais uma vez. “Gostaria que as pessoas parassem de dizer isso. Só faz eu me sentir culpada. Como eu te conheço?” ela perguntou determinada a solucionar esse mistério antes que perdesse a oportunidade.

“Você trabalha comigo.”

Que?”

“Como você acha que eu sabia como te encontrar agora? Tomamos conta um do outro.”

Chloe começou a se afastar dele, mas ele não a soltou.

“Você não pode saber o quanto me dói ter você olhando pra mim como se nunca tivesse me visto antes,” ele disse a ela, inclinando de modo que seu rosto estava próximo do dela. Chloe xingou a lâmpada que a impedia de ver seu rosto, lançando uma sombra nele e não deixando seus olhos se ajustarem à escuridão. “Me deixe te levar pra casa, Chloe.”

Depois de um longo momento de hesitação, Chloe concordou, se rendendo ao calor e a segurança que ele parecia proporcionar, se rendendo a ele. Ele a aproximou e a próxima coisa que ela sabia era que estava sendo carregada em seus braços até uma moto. Ela vagamente lembrou ouvir uma ao longe. Não tinha percebido quão perto ele havia estado. Ela não se importava nem um pouco, no entanto. Ela inspirou o cheiro do couro que ele usava mais uma vez. Sabia que era familiar, como um nome na ponta da língua, mas não sabia dizer por quê. Ele a levou de volta ao prédio de Oliver e desceu com ela.

Ela parou diante dele com expectativa, esperando ele dizer alguma coisa, qualquer coisa que pudesse revelar quem ele era ou como ela o conhecia.

Ele chegou mais perto dela, perto demais pro seu conforto, mas ela se recusou a recuar.

“Não fuja de novo,” ele disse a ela severamente.

“Eu sempre deixo você ficar mandando em mim?” ela retrucou.

Para sua surpresa, ele riu, um som profundo, sensual que vibrou por todo seu corpo. “Não, acho que não, mas –”

“Confiar em você?” ela perguntou exasperadamente.

“Sim. Não é seguro aqui fora pra você. Há pessoas que sabem sobre nós e te usariam pra chegar até mim. Eu não quero você andando por aí sozinha até se lembrar de nós.”

“Nós?”

Ele acenou positivamente com a cabeça.

“O que somos?”

“Somos amigos.”

“Porque isso parece absurdo pra mim?”

“Porque é.”

“Então o que realmente somos?”

A boca dele abriu e fechou em confusão, e nessa luz, Chloe conseguiu ver uma pequena porção de seu maxilar. Era forte e bem definido, e ela pensou ter visto um pequeno furo no queixo, mas era difícil dizer. Ela percebeu que ela mal chegava até o queixo dele. Ele era alto, muito alto. “A verdade? Não faço idéia. Só sei que tenho muita sorte por ter você, e que preciso que recupere sua memória o mais rápido possível.”

Chloe ficou com o ar preso na garganta, mas ele a soltou.

“Vá pra dentro, Chloe. E, por favor, não fuja de novo. Tenha cuidado.”

Ela procurou olhar em seu rosto, tentando ver abaixo do capuz apenas pra descobrir os óculos escuros que também bloqueavam sua visão, mas finalmente concordou, e, mantendo os olhos nele, ela entrou novamente no prédio e pegou o elevador pro apartamento de Oliver.

próximo